| dc.description.abstract | O presente estudo investiga a influência da cultura prisional na linguagem dos detentos e
seus reflexos no processo de ressocialização, explorando a aplicação da Justiça Restaurativa (JR)
como ferramenta de conscientização e transformação linguística na Unidade Prisional Regional de
Ceres, Goiás. Considerando que o sistema de justiça criminal tradicional e a própria cultura carcerária
impõem barreiras à reintegração social, questiona-se: como a linguagem desenvolvida no cárcere afeta
a ressocialização e de que forma a JR pode atuar como instrumento de transformação nesse contexto?
O objetivo geral foi analisar o impacto da linguagem prisional na reintegração dos internos e avaliar em
que medida a JR pode facilitar mudanças comunicacionais. Para isso, investigou-se a percepção dos
detentos da UPR de Ceres sobre a linguagem que adotam e seus efeitos, bem como a capacidade da
JR em modificar essas práticas linguísticas. A pesquisa justifica-se pela necessidade de superar
obstáculos à ressocialização, oferecendo alternativas mais humanas e eficazes. Adotou-se uma
abordagem qualitativa, com caráter exploratório e descritivo, apoiada por dados quantitativos. Foram
utilizados revisão bibliográfica, análise documental e aplicação de questionário a 20 internos. Os
resultados indicam que os participantes reconhecem a assimilação da linguagem prisional e seus
efeitos negativos, ao mesmo tempo em que demonstram perceber a JR como uma via possível de
mudança de percepção e comunicação. Conclui-se que a Justiça Restaurativa apresenta potencial
transformador ao conscientizar os detentos sobre o papel da linguagem, contribuindo para uma
reintegração social mais humanizada e efetiva. | pt_BR |