EVOLUÇÃO DO TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR PARA A DEMÊNCIA: IMPACTO DO TEMPO DE DOENÇA BIPOLAR, DO TIPO E DO NÚMERO DE CRISES E DO TRATAMENTO
Abstract
O presente estudo teve por objetivo analisar as relações entre as variáveis do Transtorno
Afetivo Bipolar e seu desfecho nas Síndromes Demenciais. A Metodologia consistiu no
levantamento de dados sobre o tratamento da doença bipolar e síndrome demencial, o impacto
do lítio no tratamento, a relação entre tempo de doença bipolar, o número e o tipo das crises e
a evolução para o desfecho demencial. Os resultados são: a demência predominante na
amostra global é a demência corticobasal, 46,9%. O Lítio é o terceiro principal medicamento
usado na estabilização de humor, sendo usado por 8,5% da amostra, ou 24,4% das pessoas que
usavam alguma medicação. O efeito do lítio não é significativamente distinto do efeito dos
demais medicamentos em melhorar o estado do paciente. Foi verificado que a melhora do
paciente não está associada ao total de crises. Entre os que apresentavam predominantemente
mania, somente 33,3% apresentaram alguma melhora, proporção significativamente menor do
que a proporção de melhora dos que não tinham mania, 77,9%. Conclui-se que o uso do lítio
não apresentou superioridade em relação aos demais estabilizadores de humor durante o
tratamento do paciente com demência e transtorno de humor. No presente estudo não ficou
evidenciado uma conexão de proporcionalidade entre número de crises da doença bipolar e
pior prognóstico demencial. O paciente bipolar com prevalência de crises de mania tem pior
recuperação no tratamento demencial que os demais. Ou seja, a variável “tipo de crise”
influenciou mais que a variável “duração das crises” ou “quantidade de crises”.