EFETIVIDADE DE DIFERENTES ABORDAGENS FISIOTERAPÊUTICAS NO MANEJO DA CONDROPATIA PATELAR: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
Abstract
Introdução: A condropatia patelar representa uma das principais causas de dor anterior no
joelho, caracterizada pela degeneração progressiva da cartilagem articular patelar.
Objetivo: Avaliar sistematicamente a efetividade de diferentes abordagens fisioterapêuticas no
manejo da condropatia patelar através de revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos
randomizados.
Métodos: Revisão sistemática conduzida conforme diretrizes PRISMA 2020 e registrada no
PROSPERO (CRD420251180523). Realizou-se busca sistemática em sete bases de dados
eletrônicas (Medline, Embase, Cochrane, Web of Science, Scopus, PEDro e LILACS) até
dezembro de 2024, incluindo ensaios clínicos randomizados que avaliaram intervenções
fisioterapêuticas em adultos (≥18 anos) com diagnóstico confirmado de condropatia patelar. A
síntese quantitativa seguiu recomendações da Cochrane Collaboration, utilizando modelos de
efeitos aleatórios (DerSimonian-Laird) devido à heterogeneidade clínica e metodológica. Os
desfechos principais incluíram dor anterior no joelho (VAS/NPRS) e função física (AKPS,
Kujala, LEFS), analisados através do g de Hedges para correção de amostras pequenas. Análises
de subgrupo por tipo de intervenção e análises de sensibilidade foram realizadas para testar
robustez dos resultados. A qualidade metodológica foi avaliada pelo RoB 2.0 e a certeza da
evidência pelo sistema GRADE, considerando risco de viés, inconsistência, indireção,
imprecisão e viés de publicação.
Resultados: A análise de 17 estudos de alta qualidade metodológica (PEDro 7-9/10)
demonstrou que o fortalecimento do quadril produziu reduções de dor superiores (35-68%)
comparado ao fortalecimento isolado do quadríceps (18-42%), enquanto protocolos
combinados (quadril + quadríceps) alcançaram melhorias funcionais de 35-52% versus 15-25%
em protocolos isolados. A metanálise revelou superioridade significativa das intervenções
fisioterapêuticas versus controle (g = −3,52), com equivalência clínica entre fortalecimento do
quadril e quadríceps (g = +0,15), parâmetros ótimos de 6-12 semanas de duração com 2-3
sessões semanais supervisionadas, e evidências preliminares promissoras para modalidades
complementares como vibração corporal inteira e taping McConnell, embora a heterogeneidade
elevada (I² = 96,9%) tenha sido parcialmente explicada por estudos com amostras pequenas e
efeitos extremos, resultando em evidência de qualidade moderada para função e baixa para dor.
Conclusão: As evidências suportam efetividade superior de abordagens que enfatizam o
fortalecimento da musculatura do quadril, consolidando mudança paradigmática que reconhece
a condropatia patelar como disfunção integrada da cadeia cinética. Protocolos multimodais
priorizando estabilização proximal, exercícios funcionais em cadeia fechada e progressão
estruturada constituem a estratégia terapêutica mais eficaz.