| dc.description.abstract | Este trabalho monográfico intitulado, “A Experiência do luto na Arte Cinematográfica: Uma análise psicanalista do filme ‘E, depois’?” se propôs a analisar a experiência de luto do protagonista deste filme dirigido por Misan Harriman, especificadamente, o reflexo e a manifestação do luto em diálogo, com os conceitos psicanalíticos, com os processos de identificação e representação, e com os mecanismos de defesa, e ainda, procurou compreender o papel e contribuição da arte cinematográfica nesse fenômeno complexo. O filme apresenta a história de um pai que, após a morte violenta de sua filha, e o subsequente suicídio da esposa, se vê um ano depois trabalhando como motorista de aplicativo. A narrativa explora a jornada emocional do protagonista, que enfrenta momentos de isolamento e de contato com as pessoas, o que provoca reflexões sobre sua dor, culminando em um encontro significativo com uma criança evocando a memória de sua filha. A análise do filme foi estruturada em dois eixos tendo como divisor o evento morte: o antes e o depois. Os procedimentos metodológicos incluíram anotações de reações espontâneas dos pesquisadores, análise das emoções em relação aos personagens, aplicação de conceitos psicanalíticos para interpretar cenas e diálogos, e uma imersão profunda no conteúdo do filme. Os resultados da pesquisa revelaram que o luto é uma experiência universal, caracterizada por um rompimento doloroso entre o indivíduo e o objeto de amor perdido. Pôde ser percebido nessa experiência como o investimento emocional direcionado a esses entes queridos se desintegrou diante da realidade da morte, levando a uma série de reações emocionais e psicológicas complexas. Através da exploração de momentos-chave do filme, a pesquisa evidenciou a profundidade do sofrimento e a luta interna do personagem para lidar com sua dor. Além disso, a discussão abordou os mecanismos de defesa utilizados pelo protagonista para enfrentar a perda e como foram fundamentais para a compreensão de sua jornada emocional. A análise também evidenciou a importância da identificação e da representação na narrativa cinematográfica, mostrando como o filme utilizou de suas disposições para expressar a complexidade do luto. Ela permitiu ainda uma interpretação mais rica das dinâmicas emocionais, revelando como a tal arte pode oferecer insights sobre os processos de luto e os desafios enfrentados pelos enlutados. Assim, o trabalho concluiu que a representação do luto é singular, e tal representação no cinema não apenas pode enriquecer a prática clínica, mas também proporciona uma compreensão mais empática das experiências vividas por aqueles que enfrentam a dor da perda. | pt_BR |