A EXPERIÊNCIA DO LUTO NA ARTE CINEMATOGRÁFICA: UMA ANÁLISE PSICANALÍTICA DO FILME “E, DEPOIS?" ANÁPOLIS 2024
Date
2024-12Author
Bispo Bueno, Ana Laura
de Araújo Souza, Cristiano
Pinto Lobo, Emanuele
de Oliveira Valadares Leite, Juliana
A. da Cunha, Regina Célia
Metadata
Show full item recordAbstract
Este trabalho monográfico intitulado, “A Experiência do luto na Arte Cinematográfica: Uma análise psicanalista do filme ‘E, depois’?” se propôs a analisar a experiência de luto do protagonista deste filme dirigido por Misan Harriman, especificadamente, o reflexo e a manifestação do luto em diálogo, com os conceitos psicanalíticos, com os processos de identificação e representação, e com os mecanismos de defesa, e ainda, procurou compreender o papel e contribuição da arte cinematográfica nesse fenômeno complexo. O filme apresenta a história de um pai que, após a morte violenta de sua filha, e o subsequente suicídio da esposa, se vê um ano depois trabalhando como motorista de aplicativo. A narrativa explora a jornada emocional do protagonista, que enfrenta momentos de isolamento e de contato com as pessoas, o que provoca reflexões sobre sua dor, culminando em um encontro significativo com uma criança evocando a memória de sua filha. A análise do filme foi estruturada em dois eixos tendo como divisor o evento morte: o antes e o depois. Os procedimentos metodológicos incluíram anotações de reações espontâneas dos pesquisadores, análise das emoções em relação aos personagens, aplicação de conceitos psicanalíticos para interpretar cenas e diálogos, e uma imersão profunda no conteúdo do filme. Os resultados da pesquisa revelaram que o luto é uma experiência universal, caracterizada por um rompimento doloroso entre o indivíduo e o objeto de amor perdido. Pôde ser percebido nessa experiência como o investimento emocional direcionado a esses entes queridos se desintegrou diante da realidade da morte, levando a uma série de reações emocionais e psicológicas complexas. Através da exploração de momentos-chave do filme, a pesquisa evidenciou a profundidade do sofrimento e a luta interna do personagem para lidar com sua dor. Além disso, a discussão abordou os mecanismos de defesa utilizados pelo protagonista para enfrentar a perda e como foram fundamentais para a compreensão de sua jornada emocional. A análise também evidenciou a importância da identificação e da representação na narrativa cinematográfica, mostrando como o filme utilizou de suas disposições para expressar a complexidade do luto. Ela permitiu ainda uma interpretação mais rica das dinâmicas emocionais, revelando como a tal arte pode oferecer insights sobre os processos de luto e os desafios enfrentados pelos enlutados. Assim, o trabalho concluiu que a representação do luto é singular, e tal representação no cinema não apenas pode enriquecer a prática clínica, mas também proporciona uma compreensão mais empática das experiências vividas por aqueles que enfrentam a dor da perda.