EFEITO DA QUANTIDADE DE REMANESCENTE CORONÁRIO E PRESENÇA DE RETENTOR NO COMPORTAMENTO BIOMECÂNICO DE MOLARES TRATADOS ENDODONTICAMENTE
Abstract
Dentes tratados endodonticamente podem se apresentar em diversos
estágios de destruição coronária. Preparos mais conservadores sem a
necessidade de retenção intraradicular podem favorecer o adiamento do ciclo
restaurador do dente, que tem como final a perda do mesmo. A obrigatoriedade
de retenção intraradicular tem sido questionada, mas não se sabe muito ainda
sobre o comportamento biomecânico de dentes tratados endodonticamente em
diferentes níveis de preparo com e sem retenção intraradicular. O objetivo desse
estudo foi avaliar a influência de diferentes níveis de destruição coronária de
molar tratado endodonticamente com e sem uso de retentor intraradicular nas
tensões e deformações pelo método de elementos finitos tridimensionais. Para
isso, foram criados 10 modelos a partir da combinação de 2 fatores de estudo:
1- tipo de preparo em 6 níveis: overlay, vonlay, coroa com férula, endocrown com
férula, coroa sem férula e endocrown sem férula e 2- tipo de retenção
intraradicular, em dois níveis: com e sem retenção intraradicular. Em programa
de desenho gráfico tridimensional (SolidWorks 2013), um molar humano inferior
foi construído e restaurado com os 6 tipos de restaurações, com e sem retentor
intraradicular de fibra de vidro. Os dez modelos foram então exportados para
software específico de análise por elementos finitos (Ansys Workbench) e
propriedades mecânicas, malhamento, condições de contorno e carregamento
foram adicionadas. Uma carga oclusal oblíqua (30º) 131,9 N foi aplicada na
vertente triturante do dente simulando o deslocamento para exercer a função de
mastigação. A análise se deu quantitativamente e qualitativamente com as
variáveis de tensão máxima principal (tração), tensão máxima de cisalhamento
e deslocamento máximo para o remanescente dental. Os maiores valores de
tensão de tração e cisalhamento foram encontrados nos modelos com menos
remanescente coronário, enquanto os maiores deslocamentos foram
encontrados nos modelos com mais remanescente coronário. Concluiu-se que a
quantidade de remanescente coronário é mais importante que a presença de
retentor no comportamento biomecânico de molares tratados endodonticamente