O NASCIMENTO DAS PRISÕES DE ACORDO COM MICHEL FOUCAULT
Abstract
A presente monografia tem como objeto o estudo do nascimento das prisões,
de acordo com Michel Foucault. Veremos que Foucault cita fielmente inúmeras espécies
de suplícios comuns em épocas não muito distantes da nossa, despertando-nos reflexões
inquietantes, das quais, uma delas é tão atual quanto a duzentos anos atrás, onde alguns
países então ditos civilizados admitiam a validade da tortura como meio de obter-se a
confissão, e como procedimento usual a terríveis sofrimentos físicos e morais ao
condenado. Na evolução das penas, podemos antecipar o pensamento de como a sociedade
do século XXII reagirá diante das nossas atuais prisões. Embora muito mais humanas do
que as do período pré-Revolução Francesa, não se pode negar que ainda se apresentam
como depósitos insalubres e cruéis de presos, com escassa potencialidade para a pretendida
reabilitação social do condenado. Foucault menciona que os séculos XVII a XIX não
foram apenas um marco na regulamentação escrita das chamadas instituições totais, como
os exércitos, escolas, prisões, hospitais e fábricas, mas que se persegue, principalmente,
uma idéia construtiva de conversão do homem em seres de ações mecânicas e previsíveis,
assim como as máquinas. É algo que não está em sua cabeça ou em sua alma, mas que se
passa com seu corpo; é a intenção de tornar o indivíduo útil, dócil e disciplinado através do
trabalho.