| dc.description.abstract | A dissertação tem por objetivo analisar comparativamente as propostas sobre as relações entre
animais humanos e não-humanos na Deep Ecology, do filósofo Arne Naess, e no
materialismo vital de Jane Bennett. A Deep Ecology de Arne Naess defende o valor intrínseco
da natureza, o biocentrismo, que é uma concepção segundo a qual todas as formas de vida são
igualmente importantes, não sendo a humanidade o centro da existência, defendendo os
animais não-humanos como tão importantes quanto os humanos. Jane Bennett, por sua vez,
escreve suas obras sob a rubrica do materialismo vital, que é entendido como uma ontologia
da força, já que o que de fato há são forças. Por meio dessa ontologia, Bennett esboça suas
ideias sobre a ética da generosidade, que são valores que devem emergir da experiência
concreta de se sentir afetado por animais não-humanos. Essa condição decorre dos humanos
estarem imersos em um universo de vitalidade, onde todas as coisas se manifestam como
matéria vibrante, afetando ativamente o mundo e sendo afetado por ele. Vitalidade, assim, é
compreendida como a capacidade de fenômenos orgânicos e inorgânicos em afetar/tocar o
outro, produzindo efeitos materiais e sentimentos. O trabalho busca identificar, por meio de
uma análise bibliográfica, possíveis aproximações e diferenças que marcam as propostas de
ambos os autores sobre a relação com os animais não-humanos, por meio da descentralização
do animal humano promovida pela ética biocêntrica da Deep Ecology e na ética da
generosidade no materialismo vital. A noção de encantamento é compreendida aqui como
fundamental para definir as diferenças entre ambos os autores, estabelecendo as afinidades
entre suas ideias e possíveis mesclas que podem ter implicações positivas para a noção de
valor intrínseco, visando novos princípios éticos de valorização da biodiversidade. | pt_BR |