ALEITAMENTO MATERNO NO MUNICÍPIO DE ANÁPOLIS: SABERES E PRÁTICAS NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA.
Abstract
A importância do aleitamento materno foi consagrada no século XX, representando a
estratégia de maior impacto na diminuição da mortalidade infantil. Entretanto, os
baixos índices de aleitamento materno no Brasil e no mundo refletem uma
contradição que não pode ser explicada sem a visão de nossa natureza híbrida e
das características do mundo industrializado. Estes fatores determinam a
amamentação como prática a ser aprendida e refletida, sendo parte fundamental da
promoção da saúde, eixo norteador das políticas públicas em saúde, representada
pela Estratégia Saúde da Família. À luz do conhecimento da importância das ações
de educação em saúde, possibilitando à população conhecer os benefícios do
aleitamento materno e o manejo da lactação, buscou-se nesta pesquisa identificar
quais os conhecimentos e as práticas que os profissionais de saúde da Estratégia
Saúde da Família de Anápolis detêm sobre o aleitamento materno e também quais
as condições que facilitam ou dificultam as ações para a sua promoção nestas
unidades. A pesquisa de natureza descritivo-analítica foi realizada por meio de
questionários e entrevistas aplicadas aos profissionais da Estratégia Saúde da
Família, utilizando-se de metodologia quantitativa e qualitativa, com as hipóteses de
que estes profissionais detêm conhecimentos insuficientes sobre aleitamento
materno e o processo de capacitação não tem sido realizado de forma sistematizada
e contínua. Os resultados evidenciaram população de profissionais jovens, a maioria
do sexo feminino, atuando na estratégia há menos de 3 anos. As práticas destes
profissionais revelam que vivenciaram a amamentação, porém, o aleitamento
materno exclusivo até os 6 meses conforme recomendação da Organização Mundial
da Saúde foi encontrado em pequena porcentagem destes profissionais. O Banco de
Leite Humano é mais conhecido por sua função de processamento e distribuição do
leite e pouco lembrado como unidade promotora do aleitamento materno a serviço
da comunidade. O manejo da lactação é de conhecimento da grande maioria dos
profissionais, contudo, ainda existe número significativo que não indicam o
aleitamento em livre demanda, o que pode acarretar prejuízo à amamentação. As
unidades de saúde em geral possuem capacidade física para realizar ações
educativas, porém necessitam de materiais educativos para o apoio visual destas
ações. Concluímos que a promoção do aleitamento materno na Estratégia Saúde da
Família tem sido realizada de forma assistemática e os profissionais necessitam de
conhecimentos atualizados, portanto, de mais capacitações. Contudo, esta pesquisa
demonstrou que o município conta com potencialidades e elementos fundamentais
para a promoção do aleitamento materno. Uma boa cobertura da população com a
Estratégia Saúde da Família e o Banco de Leite Humano Municipal estruturado,
aliados a profissionais motivados e capacitados, certamente, tornarão estas ações
eficazes e eficientes.