PLANTAS MEDICINAIS, FITOTERÁPICOS E SAÚDE PÚBLICA: UM DIAGNÓSTICO SITUACIONAL EM ANÁPOLIS, GOIÁS
Abstract
O presente estudo teve como objetivo avaliar o conhecimento sobre o uso de plantas
medicinais e medicamentos fitoterápicos pelos profissionais da área de saúde e população
de Anápolis, GO, tendo como embasamento a Portaria nº 971, de 3 de maio de 2006 do
Ministério da Saúde que aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e
Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde. A preocupação maior com os
profissionais da área da saúde diz respeito ao conhecimento, uso e aceitação da fitoterapia,
visando dar subsídios para um planejamento e introdução dessa prática terapêutica nos
Programas de Saúde da Família na cidade de Anápolis, Goiás. A pesquisa de cunho
descritivo abordou revisão bibliográfica e pesquisa de campo. Os dados foram tabulados,
procedendo-se as análises descritivas e a discussão dos resultados obtidos. O instrumento
de coleta de dados foi o questionário estruturado, tendo sido amostrados 220 profissionais
da área da saúde e 380 sujeitos da comunidade anapolina, tomando-se o domicílio como
unidade amostral. Além das entrevistas, fez-se um registro fotográfico das condições de
armazenamento e comercialização informal de plantas medicinais no município,
considerando ser essa a principal fonte para a obtenção dos preparados medicinais pela
população. Ao todo foram obtidos os nomes de 165 plantas medicinais de conhecimento
dos profissionais da saúde, sendo que dessas 14 plantas somam juntas cerca de 90% das
citações. Apesar do número de plantas citadas, há pouco conhecimento sobre o uso das
plantas, sendo que somente 17% dos profissionais conhecem e fazem uso das plantas
medicinais e fitoterápicos, sendo estes pertencentes a três categorias: enfermeiros, técnicos
em enfermagem e fisioterapeutas. Apenas arnica, Dersane (óleo de girassol) e barbatimão
são usados em suas práticas. A arnica é utilizada em contusões, barbatimão recomendado
para banhos ginecológicos e o Dersane em escaras e hidratação da pele. Quanto ao
posicionamento favorável ou contrário ao uso das plantas medicinais e fitoterápicos, as
posições divergiram segundo as categorias profissionais, sendo favoráveis: 100% dos
fisioterapeutas, farmacêuticos e odontólogos; 86% dos técnicos em enfermagem, 65% dos
enfermeiros, e apenas 17% dos médicos. Ainda que publicada em 04/05/2006, a Portaria nº
971 do Ministério da Saúde que institui a PNPIC é totalmente desconhecida pelos
profissionais da saúde que participaram da pesquisa de campo, o que sugere que para a
efetiva implantação dessa política pública de saúde no município, ações no sentido de
esclarecimentos e capacitação desses profissionais devem ser tomadas. A falta de
conhecimento dos profissionais deve-se em grande parte a ausência de conteúdos
relacionados às práticas terapêuticas alternativas e complementares nos currículos
acadêmicos. No entanto, a despeito dessa situação, o que se verifica é que a população
interessa-se e utiliza das plantas e fitoterápicos como recurso terapêutico, o que coloca em
cheque os profissionais. Nesse contexto, cabe ressaltar a importância da informação, do
conhecimento para que o profissional possa se posicionar em relação as Práticas
Integrativas e Complementares, sobretudo sobre sua inserção no sistema Único de Saúde.