| dc.description.abstract | O conhecimento tradicional acerca das plantas medicinais se baseia em transmitir
informações sobre como essas plantas estão sendo utilizadas, produzindo uma base
empírica para o desenvolvimento de estudos que possam respaldar cientificamente a
obtenção de novos medicamentos. E apesar de já existirem muitos dados sobre as
plantas medicinais e os seus usos potenciais, esses dados não se encontram
sistematizados. Essa dissertação objetivou compilar as listas de espécies vegetais com
potencial de uso medicinal produzidas na Região Centro Oeste do Brasil, indicando as
espécies nativas e cultivadas. Objetivou ainda, levantar as informações acerca da
história de vida dos especialistas locais identificados na cidade de Campo Limpo de
Goiás, GO, suas práticas terapêuticas, bem como levantar as espécies medicinais
utilizadas pelos mesmos. Para a compilação das listas foram consultados artigos
científicos, dissertações e teses, relacionadas especificamente a trabalhos com plantas
medicinais realizados na Região Centro Oeste do Brasil (Goiás, Mato Grosso e Mato
Grosso do Sul), durante o período de 1990 a 2008. Para a amostragem dos especialistas
locais foi utilizada a técnica denominada Bola de neve, a qual utiliza uma seleção
intencional de informantes, onde um informante indica outro, e assim sucessivamente,
até envolver todos os especialistas da comunidade. Com esses especialistas foram
realizadas entrevistas semi-estruturadas, observação participante e um método
complementar às entrevistas semi-estruturadas e à observação participante, a história de
vida, sendo caracterizada como uma estratégia de compreensão da realidade.
Evidenciou-se que existe uma grande diversidade de espécies de importância medicinal
utilizadas pela população dos estados de MT, MS e GO (723 espécies distribuídas em
113 famílias), com prevalência de espécies nativas ao Brasil. As principais partes
utilizadas das plantas foram as folhas, seguidas do caule e raiz. Observou-se que
nenhum dos descendentes dos especialistas locais tem interesse em aprender sobre as
plantas medicinais, mas utilizam quando prescrito. Esses especialistas não vão mais ao
campo coletar ervas medicinais, pelo fato de não encontrarem mais espécies nativas
perto do município. A maioria das espécies cultivadas nos quintais é de origem nativa
ao Brasil (28), sendo que existe uma grande quantidade de espécies exóticas ao Brasil
(10). São necessários estudos etnofarmacológicos, a fim de encontrar espécies com
potencial uso medicinal e efetivar as espécies que já são utilizadas em larga escala pela
população. É importante que se busque uma padronização nos estudos relacionados à
etnobotânica, com relação às informações contidas nas listas de espécies. | pt_BR |