PARALISIA CEREBRAL E A RECONSTRUÇÃO DO COTIDIANO FAMILIAR
Abstract
Este trabalho nasceu da observação do autor, em anos de trabalho com pessoa que
tem paralisia cerebral, de como a família precisaria ser cuidada para ser um cuidador
que mantém sua vida saudável e o quanto o saber técnico-científico não basta às
necessidades destas famílias. Esta pesquisa de caráter qualitativo investigou
através de entrevista em profundidade e visitas domiciliares, pessoas que
apresentavam em seu núcleo familiar alguém com Paralisia Cerebral. Os objetivos
foram: verificar a reação da família ao saber da noticia que seu filho tem a Paralisia
Cerebral, reconhecer as adversidades enfrentadas no novo status familiar e
descrever como estas famílias superaram e reconstroem seu cotidiano. Após a
síntese dos dados, reduzindo os componentes das falas dos interlocutores deu-se
início a sua interpretação quando foram identificadas as seguintes categorias
analíticas: a notícia; a adversidade; a superação; a reconstrução do cotidiano. Pôde
ser observado que ao receber a noticia da Paralisia Cerebral na familia quem mais
precisa de apoio são os pais ou outros familiares mais diretos e não propriamente
e/ou unicamente o individuo com a Paralisia cerebral. Observou-se que a
discriminação com a familia e o deficiente tem seu embrião dentro dos pequenos
núcleos como a própria família, que alimenta e é reflexo da discriminação existente
na sociedade, impedindo estas crianças de desenvolverem todo seu potencial
sensório-motor, coibindo essas familias de sua realização pessoal-emocional. Além
disso, verificou-se que os médicos por mais que sejam preparados em
procedimentos e métodos científicos para assistir “seus pacientes”, não estão
preparados para lidar com este momento de quebra das expectativas das famílias.
São consideradas estratégias necessárias para superação da adversidade, uma
dinâmica familiar saudável, uma rede de apoio social na familia e na sociedade e,
políticas públicas que favoreçam a familia e o deficiente, melhorando sua posição
dentro da legislação social existente, de onde possam por fim, reconstruir o cotidiano
familiar.