| dc.description.abstract | Atualmente, a grande maioria da população brasileira concentra-se nos espaços urbanizados,
representando uma inversão do que ocorria há poucas décadas atrás, quando o espaço rural se
destacava em número de habitantes. O processo de expansão da malha urbana se dá,
principalmente, nos grandes centros que funcionam como pólos atrativos de uma população
cada vez maior. Pautando-se pela ótica do esvaziamento do campo por meio do êxodo rural e
consequentemente do crescimento das cidades, é que este trabalho buscou analisar a expansão
urbana de Goiânia rumo à sua porção Sudoeste, especificamente, a Região
Macambira/Cascavel, abordando os aspectos socioambientais no Setor Faiçaville. Buscou-se
refletir acerca de indagações tais como: os dispositivos legais, no âmbito municipal,
facilitaram o surgimento de novos bairros em Goiânia e, mais especificamente na Região
Macambira/Cascavel nas últimas quatro décadas? O crescimento populacional de Goiânia
exerceu pressão para o surgimento de novos parcelamentos na Região Macambira/Cascavel?
Qual a participação do setor imobiliário e do capital financeiro nos parcelamentos do solo
urbano de Goiânia? O parcelamento da Fazenda Macambira atendeu aos princípios da
sustentabilidade ambiental?O Setor Faiçalvile atende às expectativas de moradia da
comunidade que ali vive? Para a sua sistematização, considerou-se os conceitos tais como:
espaço geográfico, mobilidade espacial, solo urbano, segregação urbana e o processo de
criação do espaço urbano segundo as relações sociais de produção. Buscou-se suporte para o
entendimento desses conceitos em Ribeiro (1982); Davis (1977); Sjoberg (1977); Carlos
(1988 e 1994); Santos (1988; 1990; 1999); Gottdiener (1997); Lefebvre (1991 e 1999) Lago
(2000) e Bernardes e Moysés (2005), entre outros. Nesta dissertação, observou-se também a
dinâmica dos aspectos econômicos, políticos e sociais, ocorridos no espaço territorial de
Goiânia, e principalmente, no Setor Faiçalville, bairro objeto dessa pesquisa. Além do poder
econômico, como elemento possuidor de forças para criar e recriar o espaço urbano, também
se inscreve nesse processo, o poder político representado pelo Estado, via instituições
governamentais. O Estado, enquanto organização política e administrativa, cria as condições
para a metamorfose do espaço da cidade e as relações sociais que irão ocorrer nesse espaço, e
até mesmo além de suas fronteiras. Em busca do entendimento de sua configuração
socioespacial, valeu-se da pesquisa quantiqualitativa, por meio de entrevista estruturada,
questionário pré-elaborado, registros fotográficos, pesquisa documental e bibliográfica. Com
a perspectiva de realizar uma análise mais substanciosa do espraiamento da cidade de
Goiânia, buscou-se estudar a mobilidade espacial em seu território, que, na maioria das vezes,
se dá em direção aos bairros mais periféricos, contribuindo para uma expansão rumo a
espaços desprovidos de infraestrutura adequada; adotou-se como suporte para o entendimento
de tal situação a análise de documentos oficiais, tais como Planos Diretores, Leis e Decretos.
Além desses documentos, reportagens jornalísticas da imprensa escrita também foram
utilizadas. Este trabalho buscou explorar e descrever o processo de ocupação do Setor
Faiçalville levando-se em consideração os princípios da sustentabilidade ambiental, do bem
estar da comunidade que ali reside, e da relação desta com o espaço privado e público local.
Conclui-se que a expansão urbana de Goiânia rumo à região Macambira/Cascavel se deu
principalmente através da atuação do setor imobiliário, que na maioria das vezes buscava e
ainda busca apoiar nas ações do poder público para a viabilização de seus projetos de
parcelamentos do solo urbano da capital. Conclui-se também que a comunidade do Setor
Faiçalville possui uma expressiva satisfação em ali residir, mesmo não contando com todos os
itens componentes de infraestrutura urbana nem de uma adequada política de preservação do
meio ambiente local. | pt_BR |