A EXPOSIÇÃO AO CÉSIO-137 E O RISCO DE DESENVOLVIMENTO DE TRANSTORNO DEPRESSIVO E TRANSTORNO DE ANSIEDADE
Date
2018-06Author
Ferreira, ARTHUR CÉSAR ALVES
Ribeiro, HEITOR RASMUSSEN
Rocha, JOHNATHAN PEDROSO DA
Elesbão, KARLA DE OLIVEIRA
Silva, LUCAS CARVALHO
Fonseca, PAULO ANDRÉ ASSUMPÇÃO AIRES
Metadata
Show full item recordAbstract
O acidente com o Césio-137 ocorrido em Goiânia, em 1987, ocasionou graves
problemas aos expostos ao material radioativo, como lesões de pele, amputações e óbitos. O
medo, o preconceito, as perdas afetivas e materiais e o sentimento de incerteza sobre o futuro
foram outras sequelas ocasionadas pelo radioisótopo que alcançaram parte da população
goiana. Potencializados pelo entendimento inadequado da população sobre o Césio-137, esses
agravos podem ter gerado danos psicossociais capazes de impactar a qualidade de vida dos
indivíduos, comprometendo seu desempenho diário. Esse estudo teve por objetivo analisar a
influência da exposição, direta ou indireta, ao Césio-137 ocorrida em Goiânia, em 1987, no
desenvolvimento do transtorno depressivo e transtorno de ansiedade em indivíduos dos
grupos I (expostos com radiodermites) e II (filhos e netos do grupo I). Os grupos foram
classificados conforme os critérios estabelecidos pela Agência Internacional de Energia
Atômica (AIEN) e estão cadastrados no Sistema de Monitoramento dos Radioacidentados
(SISRAD) do Centro de Assistência ao Radioacidentado (C.A.R.A.) da Secretaria da Saúde
do Estado de Goiás (SES-GO). Trata-se de um estudo observacional, quantitativo e descritivo
e transversal, que conta com a aplicação da escala DASS-21 e de um questionário
sociodemográfico como instrumentos de coleta. O critério de inclusão foi o pertencimento aos
grupos I e II e o critério de exclusão o pertencimento ao grupo III, que é compostopelos
funcionários que trabalharam na contenção do acidente radioativo e foi excluído do estudo em
virtude da baixa exposição radioativa e da baixa dosimetria citogenética. Identificou-se risco
de transtorno de ansiedade e transtorno depressivo nos grupos I e II e correlacionou-se esse
risco com as características sociodemográficas desses grupos. Dessa forma, constatou-se a
influência entre a exposição dos grupos I e II ao Césio-137 e o risco de desenvolver-se
transtorno de ansiedade e transtorno depressivo. Permitiu-se ainda afirmar, a partir do perfil
sociodemográfico dos participates, que essa população necessita de amparo psicossocial de
forma continua e permanente.