Indicadores de sustentabilidade ambiental e social na agricultura familiar- o caso do assentamento canudos em Guapó, Goiás.
Abstract
O aparecimento da temática ambiental tem sido constante nos conflitos de luta pelo acesso
à terra. Ora presentes em assentamentos de reforma agrária pelo o país, tais conflitos
colocam a questão ambiental como um elemento importante no aprendizado e prática dos
diversos atores sociais envolvidos, como agricultores assentados, instituições do poder
público e movimentos sociais. A reflexão acerca da sustentabilidade ambiental no âmbito
da reforma agrária apresenta mais um elemento representativo da complexidade dos
assentamentos rurais, resultantes da ação organizada de trabalhadores rurais em torno da
conquista da terra e da ação transformadora sobre a natureza na construção desses espaços.
Logo, o presente trabalho tem como objetivo estudar a sustentabilidade ambiental e social
da agricultura familiar em assentamento da reforma agrária, detendo como estudo de caso
o assentamento Canudos, localizado na Fazenda Palmeiras, situada entre os municípios de
Guapó, Palmeiras de Goiás, Cezarina e Campestre, municípios integrantes do estado de
Goiás,. Dado que poucos estudos são baseados na subjetividade desses agricultores, esta
pesquisa também buscou verificar a percepção ambiental do agricultor assentado, ou seja,
como esses homens e mulheres se relacionam com o trato com a terra e com uso dos
recursos naturais. No referido assentamento foi constatada problemática como degradação
ambiental, conflitos territoriais, êxodo rural dos jovens, pobreza rural, por meio do uso de
indicadores de sustentabilidade ambiental (IA), social (IDES) e capital social (ICS). Para
isso, foi realizada uma pesquisa de caráter exploratório, apresentada como métodos de
pesquisa bibliográfica e documental, bem como a realização de entrevistas
semiestruturadas com agricultores assentados, instituições do poder público e movimentos
sociais. Os resultados obtidos por meio da observação direta e das entrevistas realizadas
com representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA),
representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e principalmente
com os agricultores assentados, mostraram um baixo nível de sustentabilidade (IS). Ainda,
foram encontradas evidências de que a manutenção do assentamento está comprometida,
pois a continuidade do assentamento pelos filhos dos agricultores assentados não está
ocorrendo, sendo que os mesmos estão buscando fontes de renda, educação e lazer fora do
assentamento. É necessário propor ações de incentivo à sustentabilidade, garantindo a
possibilidade de redimensionar a prática dos assentados quanto aos sistemas de produção.
É imprescindível a atuação eficaz de órgãos do governo, por meio de políticas públicas
concretas nestas unidades familiares, orientando a realização de estilos de agricultura mais
sustentáveis, valorizando a utilização de produtos internos, a propriedade e a
diversificação de cultivos, e não orientando a reprodução da agricultura convencional que
deteriora os recursos naturais, reduz a biodiversidade e empobrece o homem do campo,
tanto no sentido ecológico como cultural. Pois não basta conceder a terra, é necessário
fornecer subsídios para que o 'homem do campo' possa trabalhar e sobreviver juntamente
com sua família desse ‘pedaço de terra’.