Análise do perfil clínico-epidemiológico dos doadores de órgãos efetivos no estado de Goiás entre 2020 e 2024
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Date
2026-06-19Author
Bernardino, Camila Santa Bárbara
Pires, Clara Abrantes
Paula, Diógenes Vicente Pires de
Damasceno, Felipe Freire Vieira
Chaves, Laura Reis Morais
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O transplante de órgãos revolucionou a medicina ao salvar vidas, começando com
xenotransplantes em animais e, posteriormente, entre humanos. Os avanços no entendimento
do sistema imunológico e o desenvolvimento de medicamentos imunossupressores foram
essenciais para o sucesso do procedimento. No entanto, apesar do aumento de doadores, a
demanda ainda supera a oferta. A doação é um processo complexo; com fatores técnicos,
jurídicos e éticos envolvidos, e enfrenta desafios devido à falta de informação e resistência
familiar. Campanhas de conscientização e políticas de saúde são necessárias para melhorar a
adesão à doação e reduzir as filas de espera, promovendo uma sociedade mais saudável e
informada. O objetivo do estudo é identificar o perfil clínico-epidemiológico dos doadores de
órgãos no estado de Goiás entre 2020 e 2024, a fim de identificar os fatores que influenciam a
captação de doadores e a efetivação das doações, propondo estratégias para melhorar as taxas
de transplantes no estado. A pesquisa é de caráter epidemiológico, quantitativo, transversal, do
tipo retrospectivo, com amostragem por conveniência. A avaliação dos dados foi feita com
referência às informações do relatório Estatísticas Gerais de Doação e Transplante de Órgão de
Goiás entre os anos de 2020 e 2024, fornecidas pela Gerência de Transplantes da Secretaria de
Saúde estadual. Estas informações abrangem a quantidade de notificações de morte cerebral, as
rejeições familiares, as características dos doadores e os órgãos coletados e transplantados.
Durante o período analisado, totalizaram-se 474 doadores efetivos, com tendência de
crescimento progressivo, especialmente a partir de 2023. O perfil dos doadores revelou
predominância do sexo masculino (63,1%), de adultos entre 35 e 49 anos (30,5%), pertencentes
majoritariamente ao grupo sanguíneo O (48,9%), sendo as principais causas de óbito o
traumatismo cranioencefálico (39,0%) e os acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos
(32,1%). Rim e fígado destacaram-se como os órgãos mais captados, enquanto o pulmão
apresentou queda significativa ao longo da série histórica e o pâncreas concentrou a maior taxa
de descarte. No período, registraram-se 988 recusas familiares, com ênfase para preocupações
com a integridade do corpo e ausência de manifestação prévia do desejo de doar. As não
efetivações somaram 2.005 ocorrências, sendo a negativa familiar e as contraindicações clínicas
os principais fatores impeditivos. A lista de espera contabilizou 85.863 registros, com
prevalência marcante de córnea e rim, além de crescimento contínuo no número de inscritos.
Embora se observe avanço no número de doações e captações, persistem desafios relacionados
à recusa familiar, questões logísticas e critérios clínicos, reforçando a necessidade de
aprimoramento das estratégias de sensibilização populacional e de capacitação profissional para
qualificar a abordagem familiar e ampliar o potencial de doação. O estudo evidenciou aumento
dos doadores efetivos em Goiás, com predominância de homens jovens. A recusa familiar
permaneceu como principal causa de não efetivação da doação, seguida por contraindicações
clínicas e PCR. A análise dos dados permitiu identificar desafios estruturais e comunicacionais
que reforçam a necessidade de qualificação das equipes, melhorias nos fluxos e fortalecimento
de ações educativas para ampliar a efetividade da doação.