Função pulmonar e força muscular respiratória em pacientes com câncer de mama
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Date
2026-06-19Author
Fernandes, Giovanna de Oliveira
Castro, José Humberto Rebelo Lima de
Martins, Lara Staciarini
Júnior, Lusmaio Batista de Sousa
Silva, Marina Freitas
Santos, Natállia David
Metadata
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O câncer é uma doença crônica não transmissível caracterizada pela proliferação desordenada
de células com potencial invasivo e metastático, configurando importante problema de saúde
pública mundial. Entre seus diversos tipos, o câncer de mama destaca-se pela elevada
incidência e impacto na saúde da mulher. Embora os tratamentos disponíveis, como cirurgia,
quimioterapia e radioterapia, sejam eficazes no controle tumoral, eles estão associados a
efeitos adversos sistêmicos, especialmente sobre o sistema respiratório, podendo comprometer
a função pulmonar e a força muscular respiratória. Diante disso, o presente estudo teve como
objetivo avaliar a função pulmonar e a força muscular respiratória em pacientes com câncer
de mama em tratamento oncológico. Trata-se de um estudo transversal analítico, realizado na
Unidade de Combate ao Câncer (Unicca) em Anápolis-GO com 20 mulheres acima de 18
anos. Foram coletados dados sociodemográficos, clínicos e antropométricos, além da
avaliação da função pulmonar por espirometria e da força muscular respiratória por
manovacuometria (pressão inspiratória máxima - Pimáx e pressão expiratória - Pemáx). A análise
estatística incluiu testes de normalidade (Shapiro-Wilk), comparação entre valores
encontrados e preditos (teste t pareado) e correlação de Pearson, adotando-se p <0,05. A
amostra apresentou média de idade de 53,25 ± 11,21 anos, com alta prevalência de
sobrepeso/obesidade (75%) e circunferência de cintura elevada (70%). A maioria das
pacientes foi submetida a tratamento combinado (75%) e cirurgia (85%), com tempo médio
de diagnóstico de 35,6 meses. Observou-se redução significativa dos principais parâmetros
espirométricos, com valores de capacidade vital forçada (CVF), volume expiratório forçado
no primeiro segundo (VEF1) e relação VEF1/CVF inferiores aos preditos (p<0,001). Em
contrapartida, o fluxo expiratório forçado entre 25-75% (FEF25-75%) não apresentou diferença
significativa. A força muscular respiratória também se mostrou reduzida, com diminuição
significativa da Pimáx e da Pemáx (p<0,001). Os achados sugerem um padrão ventilatório
predominantemente restritivo, com possível sobreposição de componente obstrutivo variável.
Além disso, foram observadas correlações positivas entre valores encontrados e preditos para
CVF, FEF25-75% e pressões respiratórias máximas. Conclui-se que pacientes em tratamento
para câncer de mama apresentam comprometimento da função pulmonar e da força muscular
respiratória, possivelmente relacionado aos efeitos do tratamento oncológico. Esses resultados
reforçam a importância da avaliação funcional respiratória e da implementação de estratégias
de reabilitação durante o tratamento, além da necessidade de estudos futuros com maior
amostragem e delineamento longitudinal para melhor compreensão da evolução dessas
alterações.