A Influência do Estresse no IMC e nos Comportamentos Alimentares de Estudantes de Medicina
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Date
2026-06-19Author
Magalhães, Pedro Alexandre Afiune
Filho, Pedro Henrique Ricarte
Nasser, Pedro Henrique Guimarães Marques
Jesus, João Vitor Vieira De
Sales, Álvaro Borges
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A obesidade é uma questão crescente de saúde pública, especialmente entre jovens adultos,
estando intrinsecamente ligada ao desenvolvimento de doenças crônicas e à redução da
qualidade de vida. No contexto dos estudantes de medicina, o estresse inerente à formação
acadêmica, somado à alimentação inadequada e ao sedentarismo, atua como um forte
catalisador para o desenvolvimento da obesidade. Diante disso, este estudo teve como objetivo
identificar a relação entre o estresse e o Índice de Massa Corporal (IMC) em acadêmicos de
medicina de uma universidade de referência no município de Anápolis, Goiás. Trata-se de um
estudo observacional, analítico e transversal, com abordagem quantitativa, realizado com 288
discentes matriculados do 1º ao 8º período. A coleta de dados ocorreu por meio de um
questionário sociodemográfico e de três instrumentos validados: MSSQ, PSS e TFEQ-R21. A
análise dos dados empregou estatística descritiva e inferencial, adotando-se um nível de
significância de p<0,05. A amostra evidenciou uma prevalência de excesso de peso de 24,3%,
sendo significativamente mais expressiva no sexo masculino (45,0%) em comparação ao
feminino (14,0%). O escore médio de estresse percebido (PSS) foi de 29,1, revelando que
91,3% dos estudantes operam sob níveis moderados, altos ou muito altos de estresse. Constatou
se, ainda, uma elevada prevalência de comportamentos disfuncionais, como o descontrole
alimentar (46,8%) e a alimentação emocional (44,1%). Embora não tenha sido identificada uma
correlação linear direta entre o PSS e o IMC, o estresse correlacionou-se positivamente com a
alimentação emocional e o descontrole alimentar, variáveis que, por sua vez, apresentaram
associação direta com o aumento do IMC. No modelo multivariado, o sexo masculino, a idade
e os escores elevados de alimentação emocional e de restrição alimentar cognitiva mantiveram
se como preditores independentes para o excesso de peso. Conclui-se que o estresse acadêmico
associa-se indiretamente à elevação do IMC, sendo esse processo mediado pela adoção de
comportamentos alimentares disfuncionais. Tais achados evidenciam a necessidade premente
de estratégias institucionais focadas na promoção da saúde mental, no manejo do estresse e na
educação nutricional contínua dos futuros médicos.