A CORRELAÇÃO ENTRE EXERCÍCIO FÍSICO DO TIPO CORRIDA E A APRENDIZAGEM ACADÊMICA EM CRIANÇAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
Abstract
Introdução: Crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA)
apresentam alterações neurológicas importantes no hipocampo e córtex pré-frontal,
afetando a aprendizagem acadêmica, memória, funções executivas e comportamentos
adaptativos. No entanto, há estudos primários na literatura que reportam melhora nessas
questões após exercício físico (EF). Objetivos: Analisar, por meio de uma revisão
sistemática da literatura, os efeitos da prática de EF aeróbico do tipo corrida na
aprendizagem acadêmica e no desenvolvimento cognitivo, socioemocional e adaptativo
de crianças com TEA. Metodologia: O protocolo desta revisão foi previamente registrado
na base PROSPERO sob número CRD420251052205. Foi realizada uma busca
eletrônica em abril de 2025 em sete bases principais (Cochrane Library, Embase,
LILACS, MedLine via PubMed, SciELO, Scopus e Web of Science) e duas da literatura
cinzenta (Google Scholar e OATD), atualizada até agosto de 2025. Foram incluídos
estudos experimentais com crianças diagnosticadas com TEA, que praticaram EF do tipo
corrida e foram avaliadas em relação ao desempenho acadêmico, funções executivas,
neuroimagem e comportamentos adaptativos pós-exercício, sem restrição de idioma ou
ano de publicação. Dois revisores independentes realizaram todas as etapas de seleção
dos estudos e coleta de dados. Um terceiro revisor resolveu eventuais conflitos.
Resultados: Foram identificados 11.410 registros, dos quais oito estudos eram elegíveis.
Eles foram publicados entre 1982 e 2021, com um total de 77 participantes, sendo
maioria do sexo masculino. Quatro estudos avaliaram o desempenho acadêmico e
tiveram resultados positivos. Um estudo avaliou funções executivas e não encontrou
diferenças. Seis estudos avaliaram comportamentos adaptativos, sendo que cinco
encontraram melhora significativa. Um estudo relatou que as melhoras comportamentais
se mantiveram por aproximadamente 90 minutos após a corrida. Outro estudo descreveu
uma relação específica entre o tipo de EF e comportamentos, sendo que a corrida
melhorou a estereotipia de balançar o corpo, já a atividade de quicar a bola melhorou
agitar as mãos. Foram identificados vieses nos métodos experimentais dos estudos.
Apenas três estudos apresentaram boa qualidade metodológica. Conclusão: Com base
em evidências limitadas, o EF aeróbico do tipo corrida pode influenciar positivamente o
desenvolvimento cognitivo, socioemocional e adaptativo de crianças com TEA,
particularmente com relação aos fatores comportamentais.