Avaliação da capacidade funcional, risco e medo de quedas, e depressão em pessoas idosas
Abstract
Introdução: O histórico de queda em pessoas idosas é reconhecido como um
fator de risco significativo e o preditor mais robusto de ocorrências negativas
futuras, uma vez que está associado à diminuição da força dos membros
inferiores, a alterações na marcha e a deficiências no equilíbrio postural e o risco
de depressão por medo de cair. Esta dissertação adota o modelo escandinavo.
Objetivo: investigar a capacidade funcional, o risco de quedas, o medo de cair
e a presença de depressão em pessoas idosas cadastradas em uma Unidade
Básica de Saúde (UBS) de Gurupi-To. Métodos: Estudo I: Trata se de um estudo
quantitativo, descritivo e transversal realizado com 71 pessoas idosas sendo a
amostra composta por pessoas idosas do Centro de Convivência do ldoso (CCI)
em Anápolis – GO, no qual foi avaliado a funcionalidade de desempenho
funcional na atividades instrumentais de vida diária (questionário de Lawton &
Brody) e os testes para risco de quedas (TUG) e sentar e levantar. Os estudos
II e II: são de abordagem transversal, com uma amostragem probabilística,
avaliadas 213 pessoas idosas cadastradas na UBS Vila São José, no qual
realizaram os testes Timed Up Go (TUG), Teste de Sentar e Levantar de 1
minuto, Escala de Eficácia de quedas (FES-I), Miniexame do Estado Mental
(MEEM) e Escala de Depressão Geriátrica mediante avaliação multidimensional.
Resultados: Os resultados dessa dissertação estão organizados em três artigos
científicos derivados do estudo principal. Artigo I: investiga a relação da
capacidade funcional da pessoa idosa com o risco de quedas, os resultados
mostraram que as mulheres apresentaram maior incidência de quedas em
relação aos homens, concluindo que há maior prevalência de mulheres com
incidência de quedas quando comparadas aos homens, todavia, que as chances
de ocorrência de quedas se mostraram maiores entre os idosos que
apresentaram maior dependência aqueles que tiverem desempenho fraco no
teste de sentar levantar. Artigo II: buscou analisar o impacto do medo de cair e
das quedas na capacidade funcional de pessoas idosas. Demonstrou-se que as
situações que mais influenciaram no medo de cair foram andar sobre superfície
escorregadia, superfície irregular e subir ou descer escadas e quanto maior o
medo de cair, maior o tempo para realizar o teste TUGT, apresentando ainda
uma correlação positiva moderada entre o medo de cair e a capacidade funcional
avaliada pelo TUGT (p<0,001). Em relação às quedas, sugere que as quedas e
a capacidade funcional, embora relacionadas, são fenômenos largamente
independentes. observando uma correlação positiva fraca com a capacidade
funcional (p<0,001). Dessa forma, o medo de cair apresentou maior influência
sobre a capacidade funcional de pessoas idosas quando comparado ao histórico
de quedas. Artigo III: Nesse estudo a maioria dos participantes eram do sexo
feminino, compondo (67.6%) da amostra, a faixa etária dos participantes variou
de 60 a 88 anos, de maior prevalência de 65 a 74 anos (50.7%). Os resultados
mostraram uma correlação entre depressão e o medo de cair, no qual foi
observado que (21%) das pessoas idosas apresentavam indicativos de
depressão, e que (28,6%) deles tinham preocupação recorrente com quedas. O
medo de cair está significativamente associada a depressão, configurando-se
como um fator preocupante e psicossocial relevante que compromete a
autonomia e a qualidade de vida. Conclusão geral: A pesquisa evidenciou baixo
condicionamento das pessoas idosas em relação a força dos membros inferiores
enquanto o risco de quedas e a preocupação com as quedas esporádicas foiclassificado como baixo observando ainda, ausência de depressão. Identificouse uma correlação positiva moderada entre o medo de cair e a escala de
depressão, sugerindo que quanto maior o medo de cair, maior a tendência de
apresentar sintomas depressivos. Além disso, apresentou uma correlação
positiva entre o medo de cair e número de quedas no último ano com o
desempenho no Teste TUGT, indicando que o aumento do medo de cair está
associado a um maior tempo total na realização dessa atividade.