Impacto regional da síndrome pós-COVID-19: análise das limitações físicofuncionais e biopsicossociais em Goiás, no Distrito Federal e Pernambuco
Abstract
A síndrome pós-COVID-19, ou COVID longa, é caracterizada por sintomas
persistentes, como fadiga, dispneia, déficits cognitivos e limitações funcionais.
Embora sua prevalência venha aumentando, há uma escassez de estudos que
investiguem como esses impactos se manifestam de forma regionalizada no
Brasil, especialmente considerando fatores clínicos, sociodemográficos e
laborais. Esta lacuna dificulta a formulação de políticas públicas específicas para
diferentes realidades do país. Este estudo observacional prospectivo
multicêntrico teve como objetivo avaliar a prevalência e a gravidade das
limitações físico-funcionais e biopsicossociais em indivíduos com COVID longa
em centros de três estados brasileiros (Goiás, Distrito Federal e Pernambuco),
analisando suas associações com variáveis demográficas, clínicas e
socioeconômicas Participaram 142 indivíduos submetidos a avaliações clínicas,
testes físico-funcionais (teste do degrau de 6 minutos e força de preensão
palmar), escala de ansiedade e depressão (HADS) e questionário de impactos
socioeconômicos (WPAI:GH). Foram identificadas diferenças regionais
significativas. Indivíduos do Distrito Federal apresentaram maior prevalência de
hospitalizações (85%) e casos graves/críticos (89%), além de menor saturação
de oxigênio no esforço (SpO₂: 92%, p = 0,001). Participantes de Pernambuco
demonstraram melhores respostas fisiológicas, com maior PAS e FC no esforço
(p < 0,001). Em Goiás, observou-se maior presenteísmo (0,50 vs 0,20; p = 0,002)
e perda de produtividade (14,8% vs 9,1%; p = 0,015). A região de residência foi
um preditor significativo da variação de SpO₂ durante esforço físico (p = 0,046).
Os resultados reforçam a necessidade de abordagens regionais e
interdisciplinares na reabilitação de pacientes com COVID longa, considerando
as desigualdades funcionais e socioeconômicas entre diferentes contextos
brasileiros.