Protocolo de reabilitação interdisciplinar em paciente com traumatismo crânio encefálico
Abstract
Introdução: Motociclistas são comumente os mais lesionados em situações de acidentes
automobilísticos, tanto pela fragilidade do tipo de transporte, quanto pela ausência de equipamentos
de segurança comparados aos automóveis. Estudos apontam que a incidência de trauma crânioencefálico (TCE) é bastante elevada em populações traumatizadas, sendo esse um agravante no
prognóstico das vítimas. A reabilitação interprofissional precoce se faz importante na condução
desses casos a fim de se evitar o agravamento no pós-trauma. O atendimento inicial do paciente
vítima de TCE inclui a avaliação do nível de consciência a partir da escala de coma de Glasgow
(ECG), a coleta minuciosa dos dados relativos ao acidente, identificação da perda de consciência na
cena e da cinemática do trauma, o exame neurológico para determinação de sinais de lesão
encefálica e do neuro eixo, avaliação da progressão clínica até o desfecho e realização de exames de
imagem como a tomografia computadorizada (TC). Objetivo: Relatar a eficácia de uma intervenção
interprofissional imediata a um piloto vítima de TCE grave. Relato de caso: Paciente, sexo
masculino, 38 anos, piloto de caça, vítima de acidente automobilístico no dia 06 de julho de 2023. Por
volta das 19h, o militar estava conduzindo uma moto de baixa velocidade em uma via pública,
quando, ao passar por um quebra-molas, perdeu o controle do veículo e acidentou-se. No momento
do acidente estava em baixa velocidade e com capacete sem tira jugular, tendo este sido
arremessado após o impacto. Foi prontamente socorrido por pedestre que contactou um colega de
trabalho da vítima e o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Na cena a vítima foi
encontrada pela equipe atendimento pré-hospitalar nas seguintes condições: sentado na via, abertura
ocular espontânea, responsivo a estímulo verbal, confuso, e movimentando os quatro membros
(Glasgow: 13), com ferimento corto-contuso em região tempo-parietal a esquerda, equimose
periorbital esquerda (sinal de Guaxinim), hemorragia subconjuntival em olho esquerdo, escoriações
em região de glúteo e espinha ilíaca antero-superior direita e mão esquerda. Foi levado ao Hospital
Estadual de Anápolis (HEANA), onde chegou apresentando vômitos e rebaixamento do nível de
consciência (Glasgow: 8). Foi submetido a TC de Crânio e Coluna, onde evidenciou-se hematoma
subdural tempo-parietal a esquerda, fratura da calota craniana e hematoma subgaleal ipsilateral, com
desvio discreto da linha média, além de hematoma subdural laminar. Não havia sinais de lesão da
coluna. Por volta das 23h foi submetido a craniotomia descompressiva com drenagem de cerca de
500ml de sangue. Procedimento com cerca de 3h e meia de duração, sem intercorrências. No pós
operatório imediato foi encaminhado extubado, sem drogas vasoativas, para a Unidade de Terapia
Intensiva, onde permaneceu por 04 dias, No dia 08/07 foi submetido a TC de crânio de controle,
apresentando áreas hipoatenuantes cortico/subcorticais de aspecto sequelar comprometendo polos
frontais, maior a direita, bem como polo temporal direito. Manteve boa evolução clínica, sem
episódios convulsivantes, recebendo alta hospitalar no 7º dia pós-operatório. No momento da alta
foram realizados os seguintes testes propedêuticos: Sinal de Lasègue positivo, teste de Patrick
Fabere negativo, teste da força de preensão manual (FPM) reduzido grau 4, sinal do obturador
negativo, teste de abdução, adução e extensão do quadril normais e paciente adotou flexão de quadril
antálgica com a perna esquerda durante a marcha, provavelmente por dor. No domicílio o paciente
recebeu apoio de uma equipe interdisciplinar composta por médico, fisioterapeuta, psicóloga,
enfermeira e nutricionista. Manteve-se em regime de home care no período de 13/07 a 31/07,
retornando ao trabalho administrativo no dia 01/08 (26º dia pós-operatório). As reavaliações dos
testes propedêuticos foram realizadas nos dias 12/07 e 21/07, sendo o Sinal de Lasègue negativo e
os demais com grau 4. No dia 27/09 paciente realizou O paciente foi avaliado por duas fisioterapeutas
no dia 16/08 onde foram coletados dados de identificação e dentro do exame físico ( IMC, Teste 1 RM
de mmss e mmii, perimetria braço, coxa e perna, Teste de Força de Preensão MSD e MSE, Teste de
Caminhada de 6 min, Teste Ergométrico com VO2 máximo) (APÊNDICE 1). As reavaliações
ocorreram com 30 dias e 45 dias. Todos os testes com resultado dentro da normalidade e apto para
exercício físico. Respondeu ainda o Questionário de Atividade Física e Força G (ANEXO 1), onde
observou-se a atividade física mista aeróbia e anaeróbia voltado a saúde e melhora a tolerância da
força G e WHOQOL-bref onde pode-se evidenciar bons indicadores de qualidade de vida (ANEXO
2). Paciente também foi submetido a um protocolo semi-supervisionado de exercícios de reabilitação
pela Fisioterapia (APÊNDICE 2), proposto especificamente com objetivo de ganho de força e
resistência para retorno a sua atividade aérea, onde observou-se uma evolução satisfatória.
Discussão: O pronto atendimento pré-hospitalar, o tratamento cirúrgico ágil e a reabilitação precoce
foram fundamentais para êxito e retorno precoce as atividades do paciente, quanto para prevenir
sequelas e danos irreversíveis. Na presença de hematoma subdural, quanto mais cedo o paciente
lesionado for submetido ao processo terapêutico de reabilitação, melhores os resultados clínicos,
além de acarretar em menores custos para o sistema de saúde pública, com menor tempo deinternação e utilização significativamente menor de medicamentos no tratamento. Outro ponto, a ser
considerado pós-trauma, é o processo de reabilitação, visto que as sequelas vão desde perda de
força e massa muscular devido ao imobilismo muitas vezes como consequência, perda do
desempenho cardiovascular a alterações mais significativas como envolvimento do sistema vestibular
e movimento global. Conclusão: O presente relato evidência a importância do atendimento
multidisciplinar a resposta positiva e eficaz ao tratamento do piloto, levando ao retorno rápido as suas
atividades.