ANÁLISE PREDITIVA E DE VALIDAÇÃO CRUZADA DO DESEMPENHO AERÓBIO E ANAERÓBIO A PARTIR DA FORÇA: QUAL A REAL RELEVÂNCIA DA MÁXIMA PRODUÇÃO DE FORÇA?
Abstract
O objetivo do presente estudo foi estabelecer a capacidade da força máxima
absoluta e relativizado pela massa corporal (MC) nos exercícios de Deadlift (DL) e
Agachamento (AG) em estimar o desempenho anaeróbio máximo no teste MART
(maximal anaerobic running test) e de potência aeróbia máxima (VPico), dentre
indivíduos estratificados em alto (HS) vs. baixo escore de força (LS). A associação
do somatório das cargas absolutas (carga de DL + AG) foi também analisada. A
validação cruzada foi testada. 34 universitários realizaram um total de 5 visitas na
primeira fase do estudo. Nas três primeiras visitas foram realizadas: caracterização
amostral e a análise de consistência da carga de repetição máxima (RM) para DL
e AG. Os participantes foram estratificados a partir de DL e AG relativizadas por
MC (DL/MC e AG/MC). Nas duas últimas visitas foram realizados o desempenho
máximo MART e o teste progressivo máximo. A regressão linear para os
participantes HS não se mostrou significativa em predizer o desempenho de MART
para todas as medidas de força. Contrariamente, o modelo regressivo apresentouse significativo para DL (R2 = 0,482; p = 0,002), DL/MC (R2 = 0,764; p < 0,001), AG
(R2 = 0,357; p = 0,011) e AG/MC (R2 = 0,644; p < 0,001) em participantes LS, diante
do desempenho MART. Para o desempenho de VPico, a regressão linear também
não demonstrou associação para todas as medidas de força em participantes HS.
Entretanto, para AG (R2 = 0,309; p = 0,021), DL/MC (R2 = 0,343; p = 0,013) e
AG/MC (R2 = 0,618; p < 0,001), se mostraram capazes de predizer o desempenho
de VPico. A predição a partir do somatório das cargas DL e AG, produziram
associação para vMART (R2 = 0,451; p = 0,003) e VPico (R2 = 0,273; p = 0,031) em
participantes LS. Na segunda fase do estudo, 17 participantes realizaram a
validação cruzada testando as equações de predição. Os mesmos procedimentos
metodológicos foram realizados para esta fase, mas somente participantes de LS
foram testados. O teste de Wilcoxon comparou MART Real vs. MART predito para
DL (p = 0,02) e AG (p = 0,043), apresentando diferenças significativa, porém não
para DL/MC (p = 0,051) e AG/MC (p = 0,093). Wilcoxon também mostrou diferenças
para VPico Real vs. VPico predito por DL/MC (p = 0,002), AG (p = 0,019) e AG/MC
(p = 0,05). A equação preditiva de MART a partir do somatório das cargas não
demonstrou diferenças significativas (p = 0,148), o mesmo não ocorreu para VPico
a partir do somatório das cargas (p = 0,008). Os níveis de força máxima não
apresentaram significativa capacidade preditiva em participantes HS. Entretanto,
foi significativo para os participantes LS. DL apresentou maior destaque preditivo
para MART. Contrariamente, para o desempenho aeróbio, AG/MC explicou
satisfatoriamente as variações do desempenho de corrida (61%). Por fim, as
equações preditivas de MART por DL/MC e AG/MC se mostraram acuradas, assim
como, o somatório das cargas para predizer MART.