ANÁLISE DA POPULAÇÃO IDOSA ATENDIDA NA UNIVERSIDADE ABERTA À PESSOA IDOSA (UniAPI) PARA OCORRÊNCIA DE DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS E SÍNDROMES GERIÁTRICAS
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Date
2025-06-12Author
Souza, Isabela Leão Gonçalves de
Bastos, Carla Santos
Silva, João Marcos Luiz da
Garcia, João Pedro Rodrigues
Dantas, Nayara Ribeiro
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O envelhecimento populacional ocasiona mudanças no perfil demográfico, nutricional e
epidemiológico. Há um aumento de idosos com carências nutricionais, da morbimortalidade
por doenças crônicas não transmissíveis, por síndromes geriátricas e doenças mentais. Fatores
ambientais, sociais, econômicos e alimentares contribuem para a fragilidade das pessoas
idosas, mais propensas a quedas, iatrogenia, outras complicações e doenças secundárias. Este
estudo avaliou os fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis e síndromes
geriátricas em pessoas idosas atendidas na UniAPI. Realizou-se um estudo transversal,
quantitativo, baseado na coleta de dados sociodemográficos, de saúde, hábitos de vida e testes
que avaliam síndromes geriátricas. Os questionários foram aplicados resultando em um
número amostral diferente para cada um dos testes. Foram 85 amostras dos dados
sociodemográficos e observou-se prevalência do sexo feminino, de viúvos, com idade entre
70 e 79 anos, etnia parda, escolaridade entre 8 anos e ensino médio completo, renda de 1 a 2
salários-mínimos. Quanto ao estilo de vida e perfil nutricional 76 pessoas foram avaliadas. A
autopercepção da saúde melhorou no último mês; 63,2% não fumam; 84,21% não consomem
álcool. A maioria realiza as grandes refeições e consome 6-10 copos/dia de água; 26,32%
realizam atividade física vigorosa e 23,68% praticam atividades moderadas. Sobre a dor
muscular uma minoria relatou que as regiões mais afetadas foram a lombar, joelhos e costas.
A maioria utiliza medicamentos para doenças cardiovasculares, hiperlipidemia e
psicopatologias. Foram avaliadas 109 pessoas para antropometria e pressão arterial, 50%
apresentaram sobrepeso e relação cintura/quadril aumentada; 38,8% com pré-hipertensão.
Sobre os testes para as síndromes geriátricas, foram avaliadas 86 pessoas com o Mini Exame
do Estado Mental que indicou perda cognitiva leve em 42,7%, déficit na memória recente em
45,1% e 8,5% preservaram as habilidades de cálculo e memória operacional. Dos 97 testes da
Mini Avaliação Nutricional 67% estavam com o estado nutricional normal e 1,1%
apresentaram desnutrição. No Índex de Independência nas Atividades de Vida Diária de Katz,
foram avaliadas 109 pessoas, das quais 60,55% foram independentes para todas as atividades
e 39,45% independentes para todas as atividades menos uma, sobretudo para continência. Na
Avaliação Geriátrica Compacta de 10 minutos, a maioria dos 76 entrevistados possui baixo
risco para ocorrência de adversidades. Na Escala de Depressão Geriátrica Abreviada de 15
questões, participaram 110 pessoas das quais 83,8% não tinham depressão, 14,6% com
depressão leve e 1,8% transtorno depressivo severo. A Escala para Rastreio do Risco de
Desenvolver Sarcopenia, indicou sarcopenia em 1,99% dos 101 entrevistados. Conclui-se que,
apesar da influência duradoura de hábitos de vida antigos na composição corporal dos idosos,
evidenciado pela preponderância de sobrepeso; e na saúde, percebido pela presença de
doenças crônicas não transmissíveis, a participação em instituições como a UniAPI atua como
um fator modificador e protetor contra síndromes geriátricas, observando-se ausência de
sedentarismo e um número irrisório de depressão e sarcopenia na amostra.