ACANTHACEAE DO CERRADO: SERVIÇOS ECOSSISTÊMICOS DE ESPÉCIES MEDICINAIS E MODELAGEM DE NICHO ECOLÓGICO DE ESPÉCIES ENDÊMICAS E AMEAÇADAS
Abstract
O Cerrado, segundo maior bioma do Brasil, constitui características de fauna e flora únicas,
abriga espécies endêmicas e representa 1/3 das espécies de seres vivos constituintes da
biodiversidade brasileira, incluindo espécies vegetais com utilização na medicina tradicional.
Dentre as várias famílias botânicas que possuem importância no Cerrado, a família Acanthaceae
desponta por possui a maior representatividade florística no bioma. No Brasil, estima-se que
ocorram cerca de 40 gêneros e 449 espécies, sendo pelo menos 254 endêmicas, e apesar da
existência de alguns trabalhos para a flora de Acanthaceae no país, a descrição da flora desta
família ainda é escassa, principalmente ao se considerar a potencialidade medicinal de algumas
espécies. Em Goiás, a flora desta família botânica ainda não está descrita, fazendo-se
necessários estudos de distribuição e conservação das espécies para o Estado, principalmente
para as endêmicas. Os objetivos desta pesquisa foram realizar um estudo sobre plantas
medicinais do Cerrado, destacando sua potencialidade na prestação de serviços ecossistêmicos
(SE), com ênfase nas espécies da família Acanthaceae; e realizar modelagem do nicho ecológico
para prever a distribuição potencial das Acanthaceae endêmicas no Cerrado goiano e avaliar seu
estado de conservação. A metodologia utilizada foi revisão de literatura e análise de dados, para
os dois primeiros capítulos da tese, e modelagem de nicho ecológico das espécies, utilizando o
algoritmo Maxent, para o terceiro capítulo. Os resultados da pesquisa apontaram 63 famílias e
260 espécies mais utilizadas com fins medicinais, conforme os estudos etnobotânicos
levantados. Para a família Acanthaceae, a J. pectoralis destaca-se como uma espécie utilizada
como analgésica, anti-inflamatória e expectorante. As espécies Aphelandra obtusa,
Hygrophila humistrata, Justicia goianiensis, Justicia ixodes, Justicia pusilla, Ruellia
rufipila, Ruellia umbrosa Ruellia trachyphylla e Stenandrium irwinii, foram
identificadas como endêmicas para Goiás e Distrito Federal, sendo S. irwinii uma
espécie considerada ameaçada. A modelagem do nicho ecológico para essas espécies
demonstrou adequabilidade de nichos potenciais predominantemente nas regiões centro
e norte do Estado, e as ocorrências registradas demonstraram necessidade de maiores
estudos para as espécies, dada a carência de informações que atestem a ocorrência atual
das populações, aliado ao fato de as ocorrências conhecidas para algumas espécies não
estarem abrangidas por Unidades de Conservação de nenhuma natureza.