A TEORIA DO DESSECAMENTO E AS PERCEPÇÕES DE HUGO DE CARVALHO RAMOS SOBRE O PROCESSO DE DESERTIFICAÇÃO NO BRASIL CENTRAL NO INÍCIO DO SÉCULO XX
Abstract
Durante as últimas décadas, a 'desertificação' atingiu o status de uma questão ambiental
global. A ideia de que os desertos estão se espalhando, principalmente devido às práticas
locais de uso da Terra, não é nova. Já existia no início do período colonial. A presente
pesquisa teve como objetivo geral analisar as percepções e ansiedades em relação aos
processos de mudanças climáticas na primeira metade do século XX, no Brasil, por meio da
obra literária „Tropas e Boiadas‟ de autoria de Hugo de Carvalho Ramos. A metodologia
adotada foi a pesquisa de revisão bibliográfica qualitativa em produções históricas em fontes
primárias de caráter literário e científico, que darão suporte e conduzirão aos rumos da
compreensão dos fatos nesse recorte temporal e espacial. Por fim, demonstrou-se como a
mudança climática global fortaleceu ainda mais a ideia da desertificação como uma ameaça
ambiental global, apesar da pesquisa científica internacional questionar a escala e a relevância
desse problema percebido. O que se pode concluir é que a teoria do dessecamento foi uma
ideia que rendeu profundos debates durante os séculos XVIII e XIX e poderia arriscar a
afirmativa de que no início do século XX ainda existia forte influência da teoria do
dessecamento em meio a vários intelectuais e possuía diversas ramificações. Essas ideias com
certeza chegaram ao conhecimento de Hugo de Carvalho Ramos e contribuiu com a
percepção e o pavor de que a desertificação já existente no semiárido nordestino poderia se
expandir para Brasil Central.