EVENTOS COMO DESORGANIZADORES DO PENSAMENTO: UMA ANÁLISE SEGUNDO HANNAH ARENDT
Abstract
Esta pesquisa analisa o conflito entre sociedade e o meio ambiente na perspectiva de uma
ruptura ontológica entre humano e natureza, através da noção do evento em Hannah Arendt.
O foco geral é identificar as variáveis que Hannah Arendt envolve no contexto de uma ruptura
entre sociedade e meio ambiente. Nesta pesquisa revisitamos o conjunto das categorias
arendtianas da Vita activa implícitos na noção de evento para a partir do cenário desses
fundamentos provocar a reflexão sobre o meio ambiente na relação entre o evento e o
Antropoceno. A hipótese da análise procura demonstrar como uma noção evental do tempo
contribui para pensar o momento atual do ser humano no planeta. Prioriza-se a noção de
Evento, através da experiência prática descrita por Arendt no relato do lançamento do satélite
Sputnik em 1957. O evento Sputnik é a base reflexiva do homo faber e a ação. Nesse
contexto, o trabalho e a tecnologia se aliam à ciência como um mecanismo propulsor através
do qual se opera a transformação da natureza do planeta. Nessa transformação aborda-se três
conceitos relevantes: a imprevisibilidade, irresistibilidade e irrevogabilidade, características
intrínsecas dos eventos. O estudo é fundamentado por Hannah Arendt, principalmente na obra
‗A Condição Humana‘ e buscamos o diálogo e a visão do pensamento filosófico de Bruno
Latour, Dipesh Chakrabarty, Alexander Galloway, Jane Bennett e a visão ameríndia de Ailton
Krenak entre outros. A metodologia é filosófica, teórica-descritiva, analítica, qualitativa-
interpretativa e aponta a crítica e a provocação reflexiva ao longo do estudo. Espera-se como
resultado do trabalho: atualizar a noção de evento como o elemento ‗novo‘, impactante para
os estudos de verificação das mudanças no meio ambiente e ainda examinar como uma noção
evental do tempo em Hannah Arendt pode contribuir para refletir acerca dos desafios que o
ser humano está vivendo nos dias atuais, onde o que é tido como ―natureza‖ adquire
protagonismo mais explícito no destino dos seres humanos e na sua relação com o mundo e as
coisas.