| dc.description.abstract | Na prática da clínica odontológica, a cirurgia de terceiros molares retidos
constitui procedimento operatório de rotina. A região apical das raízes dos
terceiros molares inferiores está localizada próxima à área nobre, o canal
mandibular (CM), proporcionando, em muitas ocasiões, estreita intimidade
com esta estrutura, o que requer maior atenção do cirurgião-dentista que se
propõe a realizar a remoção deste elemento dental. Este estudo propôs
avaliar a posição espacial e as características anatômicas relacionadas aos
terceiros molares retidos em imagens de tomografia computadoriza de feixe
cônico (TCFC). Para tanto, a amostra do estudo constituída por 200 exames
de TCFC de pacientes de ambos os sexos com idades variando entre 18 e 80
anos, com idade média de 44,5 anos. As imagens tomográficas foram
adquiridas por meio do scanner PreXion 3D, utilizando protocolo padrão e
foram examinadas usando software e-Vol DX. Imagens de alta resolução
foram usadas para garantir a precisão do diagnóstico. Os critérios para a
determinação do posicionamento dos terceiros molares inferiores retidos em
imagens de TCFC foram baseados nas classificações de Winter (1926) e de
Pell & Gregory (1933). Os critérios para a determinação da relação do ápice
radicular do terceiro molar inferior (3MI) com o CM foram embasados nos
seguintes aspectos (Deppe et al., 2019): superposição do ápice radicular do
3MI com o CM; presença de contato do ápice radicular do 3MI com o CM;
ausência de contato do ápice radicular do 3MI com o CM. Os critérios para a
determinação da presença de reabsorção radicular externa em segundos
molares inferiores em imagens de TCFC foram firmados na classificação de
Herman et al. (2019): ausência de reabsorção radicular; presença de
reabsorção radicular. Análise estatística: as variáveis categóricas foram
descritas como frequências e porcentagens e avaliadas pelo teste do qui quadrado, sendo analisados os achados incidentais descritos previamente.
Odds ratio (OR) e 95% de intervalo de confiança (IC) também foi calculado
para cada associação. O nível de significância foi estabelecido em p <0,05. A
análise estatística foi realizada utilizando o software Statistical Package for
the Social Sciences, versão 20. Os resultados mostraram que em 48,06 % dos
terceiros molares inferiores retidos visualizados por exames de tomografia
computadorizada de feixe cônico encontravam-se na posição mesioangular,
seguido pelas posições vertical, disto angular, horizontal e vestíbuloversão
(Winter, 1926). Os terceiros molares inferiores, em 43,22% e 43,22%,
respectivamente, apresentavam-se nas posições B e C onde a superfície
mais alta do 3M está entre o plano oclusal e a linha cervical do segundo molar
e na superfície do 3M abaixo da linha cervical do segundo molar adjacente
(Pell & Gregory, 1933). Na avaliação do espaço existente entre a distal do 2M
e o ramo da mandíbula, 54,2% dos dentes eram classe II (coroa do 3MIR
parcialmente dentro do ramo da mandíbula) e 40,32% eram classe III (coroa
do 3MIR completamente dentro do ramo da mandíbula) (Pell & Gregory,
1933). Na análise da posição anatômica entre o ápice radicular do 3MIR com
o CM verificou-se ausência de contato em 69,7% dos casos, em 22,9% houve
superposição do ápice radicular do 3MIR com o CM e em 7,4% estava
presente contato do ápice radicular do 3MIR com o CM. A análise da
ocorrência de reabsorção radicular externa na raiz distal do 2MI demonstrou
que em 88,7% não foi verificada a situação. | pt_BR |