Risco de Câncer Bucal em pacientes com Doença do Enxerto Contra o Hospedeiro: Revisão Sistemática e Meta-Análise
Abstract
Esta revisão sistemática foi realizada para determinar o risco de câncer bucal
(CB) em pacientes com doença do enxerto contra o hospedeiro crônico
(DECHc). A pesquisa foi realizada em seis principais bases de dados eletrônicos
(PubMed/MEDLINE, EMBASE, LILACS, Web of Science, Scopus e LIVIVO) e
literatura cinzenta (Google Scholar, Open Grey e ProQuest) incluindo nas buscas
estudos publicados até novembro de 2021. Foram considerados elegíveis para
inclusão os estudos observacionais que abordavam a incidência de CB em
pacientes adultos que apresentavam a doença do enxerto contra o hospedeiro
(DECH) após transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas (TCTH).
Não foram impostas restrições de idiomas ou tempo para os trabalhos incluídos
nesta revisão. A qualidade metodológica foi avaliada utilizando-se a Escala de
Avaliação da Qualidade de Newcastle-Ottawa (NOS) para estudos não
randomizados. A risco relativo(RR) agrupada (IC 95%) dos estudos foi obtida
utilizando-se um modelo de efeitos aleatórios para estimar a associação entre
DECHc e o risco de CB. As meta-análises foram realizadas utilizando o software
Review Manager v.5.4 (RevMan). Das 13 coortes incluídas na síntese qualitativa,
9 foram elegíveis para a análise quantitativa. A meta-análise mostrou que a
presença de DECHc aumenta o risco de desenvolver CB (RR 2,78, IC 95%: 1,27-
6,08; I2 = 46%; P=0,01). A meta-análise de subgrupo revelou maior risco de CB
em amostras asiáticas expostas ao DECHc (RR 2,50, IC 95%: 1,54-4,04; I2 = 0%;
P=0,0002), o que não foi visto na análise agrupada de amostras europeias (P=
0,24). A qualidade metodológica geral da maioria dos estudos incluídos foi
considerada "boa". As evidências cumulativas (GRADE) foram consideradas
9
moderadas e de baixa certeza de evidência para estudos asiáticos e europeus,
respectivamente. Esta revisão sugere que pacientes com DECHc submetidos a
TCTH alogênicos apresentam um risco aumentado de desenvolver CB. Assim,
recomenda-se que os pacientes com DECHc sejam monitorados para permitir a
detecção precoce e o tratamento da doença maligna secundária