MÃO DE OBRA MEEIRA/AGREGADA NA EXPANSÃO DA FRONTEIRA AGRÍCOLA DO NORTE DE GOIÁS DURANTE OS ANOS DE 1930 À 1970
Abstract
O presente trabalho tem por objetivo investigar a expansão da fronteira agrícola em
Goiás, especialmente na região norte, primordialmente, embora não exclusivamente,
durante os anos de 1930 à 1970, através de um enfoque das relações de trabalho da
mão de obra meeira/agregada. Tratava-se, esta, de uma classe não proprietária em
situação de extrema pobreza e vulnerabilidade à violência. O agregado estava
vinculado ao patrão como uma forma semi servil de contrato verbal, que incluía,
evidentemente, relações de poder. Uma vez aceito pelo patrão, deveria este constituir
residência no interior da propriedade do patrão e ficava vinculado ao mesmo, inclusive
para disputas territoriais, devendo fazer parte de uma pequena milícia dos grandes
proprietários em suas guerrilhas pessoais. O declínio do uso deste expediente como
forma de ocupação de novos territórios implicou na expulsão desta mão de obra da
região rural e sua substituição por instrumentos mecanizados cujo impacto ambiental
é de proporções ainda maiores. Propõe-se, a partir da análise das problemáticas
relacionadas à colonização, compreender o impacto ambiental e social provocados
pelo uso desta mão de obra. Pretende-se, utilizando-se a análise histórica,
compreender a visão do colonizador do sertão e da “necessidade” de urbanização de
território, bem como o uso da mão de obra das classes menos favorecidas nas regiões
rurais. Também procura-se verificar o impacto no meio ambiente durante o período
em que esta mão de obra foi utilizada, a situação de precariedade de parte da
sociedade na mesma lide com o meio ambiente e como, indiretamente, o fim do uso
deste meio de trabalho implicou conflitos na zona rural, êxodo rural e a
industrialização, com impactos maiores ao meio ambiente. Para esta análise utilizamos
a pesquisa bibliográfica, utilizando as contribuições de F. Itami Campos (2012), Prado
Junior (1979), Oliveira (2008), Palacin (1989), Cronon (2007) dentre outros. Também
com dados estatísticos de fontes oficiais e entrevistas pessoais com indivíduos que
participaram ativamente como meeiros/agregados na produção agrícola durante o
período e/ou em situações históricas de conflitos de terras. Propõe-se, a partir da
compreensão das problemáticas relacionadas à colonização, compreender o impacto
ambiental e social provocados por esta relação de trabalho.