Cannabis sativa: IMPACTOS SOCIAIS E AMBIENTAIS PARA USO MEDICINAL
Abstract
A regulamentação da Cannabis sativa para uso medicinal tem impactos
gerados tanto no campo social quanto no ambiental. No aspecto social, a legalização
e o uso terapêutico da Cannabis representam uma conquista para pacientes que
dependem de seus benefícios para tratar diversas condições médicas, como
epilepsia, esclerose múltipla, dor crônica e doenças neurodegenerativas. Além disso,
a regulamentação reduz o estigma associado à planta, promovendo avanços na
pesquisa científica e permitindo um acesso mais seguro e controlado a medicamentos
à base de canabinóides. Objetivo: Dessa forma, este estudo tem o objetivo de
investigar as legislações internacionais e nacionais concernente ao ciclo produtivo da
produção de Cannabis sativa para fins medicinais, analisando sua evolução ao longo
do tempo, os desafios enfrentados e os impactos sociais e ambientais, com o intuito
de contribuir para o aprimoramento de políticas públicas que regulamentem esse
setor. Metodologia: Trata-se de uma revisão bibliográfica, documental e narrativa, de
natureza descritiva e qualitativa. Foram analisados artigos científicos e legislações
pertinentes nas bases Google Acadêmico e SciELO. Incluíram-se estudos publicados
a partir de 2000, nos idiomas português e inglês, enquanto estudos não gratuitos ou
sem relação direta com o tema foram excluídos. Utilizou- se dos seguintes descritores
"Cannabis sativa medicinal; legislação brasileira; ciclo produtivo; impacto social;
impacto ambiental; cultivo" e os seus respectivos termos em inglês, sendo: “medical
Cannabis”; “Brazilian legislation”; “production cycle”; “social impact” e “environmental
impact”, empregando os operadores booleanos "AND" e "OR" para otimizar os
resultados. Além da revisão bibliográfica, foi aplicado um questionário composto por
23 perguntas direcionadas ao diretor da Associação Goiana de Apoio e Pesquisa à
Cannabis Medicinal (AGAPE) para melhor compreender os desafios legais e sociais
associados ao cultivo da Cannabis sativa para uso medicinal. Principais resultados:
A pesquisa incluiu um total de 223 estudos, dos quais 22 foram selecionados para
análise aplicação após critérios de inclusão. Além da revisão bibliográfica, foi
conduzido um estudo de caso com a Associação Goiana de Apoio e Pesquisa à
Cannabis Medicinal (AGAPE), através de um questionário com 23 perguntas
direcionadas ao diretor da associação. Os resultados demonstraram que a AGAPE
utiliza exclusivamente o cultivo indoor para a produção de Cannabis medicinal,
justificando essa escolha pela necessidade de controle das variáveis ambientais e
pela maximização da produção de metabólitos secundários, essenciais para a
qualidade terapêutica dos produtos. A prática de agricultura orgânica, manejo
integrado de planejamento (MIP) e reutilização de recursos naturais foram definidas
como estratégias sustentáveis empregadas pela associação. Além disso, desafios
como o alto consumo de energia e água nas etapas de cultivo foram evidenciados,
especialmente no uso de iluminação artificial e controle climático. Conclusão:
Portanto, embora haja progresso na legislação, persistem desafios legais e sociais e,
por isso, é importante que a discussão persista, de forma a evoluir e promover políticas
e práticas que priorizem o bem-estar e a saúde da população.