USO DA TOXINA BOTULÍNICA COMPARADA A OUTRAS ESTRATÉGIAS DE MANEJO NO TRATAMENTO DO BRUXISMO: REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA
Abstract
O bruxismo, caracterizado pelo ranger ou apertar dos dentes, pode ocorrer tanto
durante o sono quanto enquanto o indivíduo está acordado. Essa condição é
multifatorial, envolvendo fatores biológicos, psicológicos e externos, como estresse e
consumo de substâncias estimulantes e está relacionada ao sistema nervoso central.
Embora a prevalência global do bruxismo varie entre 8% e 31%, muitos casos podem
ser subdiagnosticados. O bruxismo pode gerar complicações como fraturas dentárias,
dores de cabeça e distúrbios musculares, o que destaca a necessidade de estratégias
eficazes de manejo. Tradicionalmente, o tratamento do bruxismo envolve uma
abordagem multidisciplinar e os cirurgiões dentistas podem lançar mãos de alguns
dispositivos para reduzir as sequelas deixadas por esta condição. Dispositivos
oclusais são comumente utilizados, mas a toxina botulínica (TB) tem sido explorada
como alternativa para o manejo clínico do bruxismo, mostrando resultados
promissores na redução da dor e da atividade muscular associada ao bruxismo. O
objetivo desta revisão sistemática é avaliar a eficácia da toxina botulínica no manejo
do bruxismo, comparando-a com outras abordagens terapêuticas, como placas
oclusais e medicamentos. A revisão sistemática de estudos clínicos randomizados
incluiu 14 artigos que investigaram o uso de toxina botulínica em 441 pacientes. A
maioria dos estudos indicou que a toxina botulínica reduziu significativamente a dor e
a atividade muscular excessiva nos músculos mastigatórios, com 91,7% dos estudos
mostrando alívio da dor. Além disso, 71,4% dos estudos observaram uma diminuição
na atividade muscular, e 57,1% relataram uma redução na gravidade do bruxismo. A
qualidade do sono também foi significativamente melhorada em muitos casos, embora
os resultados não sejam significativos. Apesar dos resultados positivos, a pesquisa
ainda apresenta limitações, como a variabilidade nas dosagens de toxina e a falta de
padronização nos métodos de avaliação. A necessidade de mais estudos com
amostras maiores e protocolos padronizados é essencial para confirmar a eficácia da
toxina botulínica e aprimorar seu uso no tratamento do bruxismo. Em conclusão, a
toxina botulínica se mostra uma alternativa promissora, especialmente quando
combinada com outras terapias.