A QUESTÃO DA INCLUSÃO DE PESSOAS TRANS EM PRESÍDIOS FEMININOS: DESAFIOS E DEBATES
Abstract
O presente estudo suscita algumas condições para o cumprimento de pena de presas
transgêneros e travestis em regimes fechados, seja em presídios masculinos ou femininos,
objetivando entender ambos os lados, no que se insere a situação de fragilidade, violência e
discriminação, a que são sujeitas nos presídios masculinos, mas também, a questão dos
envolvimentos afetivos e sexuais de trans/travesti com mulheres cisgêneros nos presídios
femininos podendo acarretar por vezes gravidezes. O problema levantado é se, as prisões
femininas são de fato as mais ideais para a permanência das trans e travesti como forma de
promover a integridade física, psíquica, moral e sexual além de prezar pela afirmação da
identidade de gênero? Diante da escolha e ou remanejo desses grupos para presídio masculino
e ou feminino, analisa-se as dificuldades encontradas pela população transgênero diante da não
padronização dos sistemas prisionais brasileiros no campo do (des)respeito aos seus direitos
fundamentais mínimos relacionados com a identidade de gênero e previsto pelos normativos
criados para essa minoria. Pelo método dedutivo de análise e frente a uma pesquisa exploratória
e explicativa concebe-se que o fenômeno estudado ainda é pouco explorado, há divergências
nas políticas internas dos presídios no que se refere ao cumprimento das Leis de Execução
Penal _ LEP e dos imperativos normativos de apenadas transgêneros e travestis, essas não
observâncias tendem ser obstáculos na afirmação e prática de direitos desses grupos, além de
que a permanência desses em presídios femininos não é por si só capaz de promover a
identidade de gênero dessas mulheres nesses espaços prisionais gerados a partir de ambientes
harmônicos entre toda população carcerária.