REPRODUÇÃO HUMANA ASSISTIDA: Uma análise acerca dos direitos sucessórios do embrião fecundado post mortem
Abstract
Este estudo teve como principal objetivo analisar minuciosamente os direitos
sucessórios do embrião fecundado post mortem, levando em consideração os
princípios que regem o direito sucessório e a necessidade de relativização da
coexistência. A metodologia empregada neste estudo envolveu uma revisão
abrangente da literatura, considerando o uso de material científico relevante, bem
como a análise da legislação vigente no Brasil. Ao abordar a problemática de
pesquisa sobre os direitos sucessórios dos filhos concebidos post mortem,
constatou-se que o avanço das técnicas de reprodução assistida e os
desenvolvimentos médicos na área reprodutiva têm apresentado novos desafios
legais e éticos. Esses desafios levantam questões complexas relacionadas ao
tratamento jurídico dos embriões concebidos após o falecimento de um dos
genitores. Um dos principais pontos discutidos foi o princípio da coexistência, que se
baseia na ideia de que é necessário um vínculo temporal entre o de cujus e o
herdeiro, o que entra em contraste com os direitos dos embriões concebidos post
mortem. Nesse contexto, foi analisado o artigo 1.597, incisos III, IV e V, do Código
Civil brasileiro, que estabelece a presunção de paternidade em casos de
inseminação artificial post mortem. No entanto, observou-se a relativização desse
princípio diante dos princípios constitucionais, como a dignidade da pessoa humana
e a igualdade entre os filhos. Além disso, foi discutida a compreensão das
disposições do artigo 1.800 do Código Civil, que aborda a reserva de bens para o
herdeiro esperado, a curatela e o prazo para o nascimento desse herdeiro. Verificou se que a legislação brasileira admite a relativização do princípio da coexistência,
permitindo o reconhecimento dos direitos sucessórios dos embriões concebidos post
mortem, em conformidade com os princípios constitucionais e a jurisprudência atual.
Por fim, ressaltou-se a importância de buscar um equilíbrio entre os princípios
envolvidos, a fim de encontrar soluções jurídicas adequadas e adaptadas às novas
realidades trazidas pela reprodução assistida. Isso é fundamental para promover a
justiça e a igualdade nas relações familiares e sucessórias, garantindo um
tratamento justo e equitativo para todas as partes envolvidas.