| dc.description.abstract | A carga horária e a cobrança por um bom rendimento nas aulas, provas e atividades, por parte
dos estudantes, faz com que eles busquem maneiras de permanecer acordados por mais tempo
para alcançar seus objetivos, sendo um destes meios as bebidas energéticas. Assim, objetivou-
se compreender o impacto do uso de energético no dia a dia e na qualidade de vida de alunos
do curso de medicina. Trata-se de um estudo observacional, com delineado transversal
quantitativo, realizado na Universidade Evangélica de Goiás com os acadêmicos do curso de
medicina por meio de dois questionários que foram respondidos de forma presencial no
ambiente da faculdade. O primeiro, elaborado pelos pesquisadores, questionou sobre o
consumo de energético, quantidade, finalidade e frequência de consumo, se trabalha ou não, a
carga horária de estudo diária e sobre fatores de risco e efeitos colaterais. O segundo é o
questionário Short Form Health Survey (SF-36) que avalia a qualidade de vida dos
participantes pelos critérios de capacidade funcional, aspectos físicos, dor, estado geral da
saúde, vitalidade, aspectos sociais, aspectos emocionais e saúde mental. Foi constatado, entre
577 participantes, que a maioria (76,6%) deles consome energéticos e que o consumo é maior
no ciclo clínico (52,9%) (p = 0,042). O estudo é a principal motivação de uso (80,8%) e, entre
os que consomem, a maioria estuda entre 4 e 8 horas por dia (50,2%). Foi encontrado também
que os principais fatores de risco presentes são os neurológicos (55,7%) e os efeitos colaterais
mais prevalentes associados ao uso são taquicardia (39,1%) e palpitações (28,5%), e esses
acontecem mais naqueles que fazem uso de 2 a 5 vezes por semana, porém sem significância
estatística. Além disso, a associação tanto com álcool quanto com outras substâncias
estimulantes é comum, 42,8% e 17,4%, respectivamente, sendo a última associação
responsável por ocorrência de efeitos colaterais como taquicardia, palpitações, distúrbios
gastrointestinais, insônia e mau humor de forma significante (p ≤ 0,05). Notou-se, também a
redução na qualidade de vida dos alunos por meio dos critérios de dor (p = 0,02) e vitalidade
(p = 0,037). Concluiu-se que há alta prevalência de uso de energéticos entre os alunos
participantes e que o uso, realizado principalmente para estudar, implica em efeitos colaterais
e que causa alterações na qualidade de vida desses alunos. | pt_BR |