Avaliação do alcance em profundidade do escaneamento direto do espaço intraradicular: um estudo piloto.
Abstract
Na Odontologia da era digital, a cada dia surgem novos
equipamentos que prometem suprimir as tradicionais moldagens
convencionais. Os escâneres e os modelos digitais são as novas ferramentas
para estudo, planejamento e confecção das mais variadas peças protéticas,
entre elas os retentores intradiculares. O objetivo deste estudo in vitro foi
avaliar a capacidade de um escâner intra oral realizar a leitura (digitalização)
diretamente do espaço intra radicular destinado à colocação de um retentor
intraradicular, utilizando um escâner intraoral (IOS) TRIOS 3; 3Shape. Quatro
raízes artificiais sem coroa padronizadas com simulação de preparo para
retentor intra radicular com 4,6,8 e 12 mm de profundidade. Manequim com
cinco elementos em resina acrílica adjacentes mesialmente e distalmente ao
espaço destinado para intercâmbio das raízes artificiais a serem escaneadas.
Escaneamento de quatro padrões em acrílico obtidos a partir da modelagem
intraradicular convencional apoiados em uma base de acrílico. As raízes e seus
respectivos retentores foram agrupados em quatro grupos G1, G2, G3 e G4
para melhor compreensão da metodologia. Os modelos digitais foram
recortados por meio de software de design auxiliado por computador (CAD)
,Autodesk ® Meshmixer ᴛᴍ para facilitar o alinhamento virtual das malhas. Em
cada grupo as meshes (imagens computacionais em malha) foram sobrepostas
através de um alinhamento de melhor ajuste entre sí (best-fit alignment), e
analisadas quanto ao desvio positivo e negativo através de ferramentas
específicas do software GOM Inspect Suite. Foram realizadas mensurações
virtuais lineares com o software 3Shape 3D Viewer Main quanto ao diâmetro
do terço apical e quanto à distância entre a margem cervical até o fundo do
espaço intraradicular nas malhas de cada grupo, e as medidas foram
tabuladas. Na sobreposição entre as malhas geradas de cada grupo foram
observados desvios insignificantes no terço apical dos grupos G1 e G2. No
grupo G3 foi observado um estrangulamento ( aberração geométrica ) no 1/3
apical da malha do espaço intraradicular , proveniente do aumento da distância
focal. No grupo com 12 mm de profundidade foi observado um desvio de
12
3,96mm de comprimento entre as malhas do espaço intraradicular e do retentor
intraradicular em acrílico que evidenciou a falha do sistema de escaneamento
direto. A tecnologia poderá levar-nos para a eliminação completa das
moldagens convencionais. O fluxo digital de trabalho têm provas concretas de
precisão e confiabilidade quando se trata da digitalização de preparos
coronários com finalidade protética, seu uso na ortodontia e implantodontia.
Contudo, as moldagens digitais intraorais ainda não podem ser consideradas
confiáveis quando se pretende digitalizar espaços intraradiculares profundos de
forma direta. Para melhorar o desempenho dos leitores digitais será necessário
o desenvolvimento do hardware e de softwares mais complexos.