| dc.description.abstract | A violência doméstica é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o uso
intencional de força ou poder contra outra pessoa ou contra um grupo de pessoas, resultando
em lesão ou dano – sendo um muito presente em nosso país. Nesse contexto, situações
epidemiológicas comuns entre a maioria dos casos podem ser destacadas, como idade, etnia e
escolaridade da vítima, bem como sua relação com o agressor e a frequência com a qual os
quadros de violência ocorrem. Assim, objetiva-se com esse estudo descrever as características
dos casos de violência doméstica notificados no Sistema de Informação de Notificação e
Agravos (SINAN) de Anápolis, entre os anos de 2017 e 2021. O trabalho se configura como
um estudo epidemiológico, observacional, descritivo, transversal e retrospectivo para a análise
do perfil clínico e epidemiológico das vítimas de violência doméstica analisando as fichas de
notificação compulsória. Dessa forma, foi observado que o perfil das vítimas na cidade de
Anápolis (GO), é composto por mulheres de 18 a 29 anos (38,0%), pardas (69,8%), casadas ou
em união consensual (38,9%), com ensino fundamental incompleto (27,6%). Na maioria dos
casos a vítima não estava gestante (82,5%), o agressor foi do sexo masculino (79,3%) e a
recorrência esteve presente em 46,8% dos casos. O principal meio de agressão é a força corporal
(68,9%), e seu principal agressor uma pessoa com o qual a vítima mantém uma relação
conjugal, ou ex-conjugal (46,7%), sendo o marido responsável pela maioria dos casos. Nota-se
também que os anos de 2020 e 2021 tiveram um menor número de casos, mostrando a influência
da pandemia da COVID-19 no número de notificações, que mascarou o real número de
agressões que ocorreram. Assim, a prática da notificação dos casos de violência doméstica
constitui uma atitude importante para a melhoria da prestação da assistência à saúde, podendo
ser usada como indicadora específica de saúde pelos gestores e profissionais de saúde. | pt_BR |