| dc.description.abstract | A violência de gênero, como fator constituinte da estrutura social, pode estar presente até mesmo em espaços que deveriam combatê-la. Considerando isso, este trabalho objetivou analisar a violência de gênero na atenção à saúde mental das mulheres ao longo da história, bem como realizar um paralelo com o presente. Para isso, foi realizada uma pesquisa qualitativa com estudo exploratório e de natureza básica, onde se utilizou bibliografias que dissertam sobre violência de gênero, saúde mental, direitos humanos, feminismo e seus entrelaçamentos, assim como documentos legais, como decretos, projetos de leis, leis vigentes, resoluções, referências técnicas e diretrizes. De acordo com os achados da pesquisa, verificou-se que, no princípio das elaborações das teorias psicológicas e psiquiátricas, as mulheres eram diagnosticadas, medicalizadas, encarceradas e punidas, sob a alegação de tratamento, pelos desvios às normas sociais estabelecidas para o seu gênero, uma vez que estas influenciavam fortemente a ciência. Conclui-se que a violência de gênero presente nos diversos campos da vida em sociedade, bem como os papéis designados às mulheres, determina seu sofrimento e adoecimento. No decorrer dos anos, mudanças foram realizadas, de maneira que atualmente existem autores e profissionais que se atentam a essa problemática. Entretanto, quando os profissionais desconsideram essas violências - em suas mais diversas formas - na compreensão do adoecimento das mulheres, acabam por reproduzi-las nos serviços de saúde mental. Assim, nota-se a necessidade de que novas alternativas de cuidado à saúde mental das mulheres continuem sendo pesquisadas, considerando a articulação entre saúde mental, gênero, raça e classe. | pt_BR |