Mapeando os sentidos: a história do rio vermelho contada pelos ribeirinhos de Crixás-GO.
Abstract
A história da cidade de Crixás-GO desde seu nascimento caminha em paralelo com a atividade da
mineração, a partir das expedições dos bandeirantes até os dias atuais a cidade apresenta como
uma das bases econômicas principais, a extração de ouro, neste panorama se encontra o Rio
Vermelho, este curso d’água corta a cidade de um lado ao outro e sempre fez parte da história do
povo crixaense. Por anos este povo utilizou de suas águas de diferentes formas: beber, lavar roupa,
pescar, banhar, o rio era um ponto de encontro e socialização para a população desta cidade. Em
1990 ocorre o despejo de desejos da mineradora neste rio, impossibilitando sua utilização a partir
desde episódio, assim estas águas que antes eram utilizadas, ficam proibidas para os ribeirinhos
desta cidade. O objetivo deste trabalho é analisar a percepção ambiental da comunidade ribeirinha
da cidade de Crixás, no Estado de Goiás, relacionada ao uso do Rio Vermelho, procurando através
disto despertar o desejo do povo crixaense de recuperar seu rio. Para tal, a metodologia utilizada
foi a confecção de mapas mentais pelos ribeirinhos, parametrizado através dos cinco sentidos
humanos (visão, paladar, audição, olfato e tato), apresentando como conceitos para guiar a
pesquisa, o estudo da fenomenologia, pautada na percepção ambiental e no estudo do lugar. Na
confecção dos mapas é possível perceber que para os ribeirinhos as águas do Rio Vermelho vêm
carregando também sentimentos... afetos... emoções... e saudades de um tempo passado, o rio
construiu com estes, vínculos de lar, lugar onde o povo foi capaz de construir uma identidade, todos
os pesquisados se ressentem da perca da utilização deste rio.