Goiânia e a natureza da metrópole: os recursos naturais na criação e no desenvolvimento da nova capital de goiás (1930-2016).
Abstract
Goiânia foi criada na década de 1930 pela ação política de Pedro Ludovico Teixeira
(interventor do estado de Goiás nomeado pelo então presidente Getúlio Vargas) e pelo
projeto urbanístico de Attilio Corrêa Lima (urbanista brasileiro com formação na
França). Em sua origem, a natureza local figura como instrumento da divulgação da
construção de uma metrópole moderna e sanitária, apropriada para alavancar o
desenvolvimento de um estado rural e isolado dos centros produtores e consumidores do
Brasil. O presente trabalho baseou-se nos pressupostos teórico-metodológicos da
história ambiental, muito relacionada com os estudos sobre a expansão da fronteira
agrícola e demográfica no Brasil Central a partir da década de 1930. Como referência,
também da historiografia ambiental, foram utilizados trabalhos que relacionam as
questões urbanas e rurais, bem como os espaços e áreas verdes como espaços
privilegiados das cidades norte-americanas, tendo como principal referência os estudos
de William Cronon e Mark Stoll. Como fonte de pesquisa, foram utilizados documentos
e publicações de seus criadores, seus construtores e de figuras envolvidas no processo
de formação e desenvolvimento da cidade. Também foram utilizadas fotos de diversas
épocas, além de aerofotos, esboços e mapas. A pesquisa documental foi realizada na
Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (Hemeroteca Digital), Museu da Imagem e do
Som de Goiás, Biblioteca da Secretaria de Planejamento Municipal de Goiânia
(SEPLAM) e na Agência Municipal de Meio Ambiente de Goiânia (AMMA). O
trabalho está organizado em três capítulos. O primeiro traz uma descrição da natureza
como elemento importante na promoção do empreendimento e de seus projetistas
originais. O segundo capítulo apresenta os chamados boosters, que são personagens
importantes da divulgação do sucesso da capital associada aos recursos naturais
existentes. No terceiro e último capítulo é apresentado o papel dos parques ambientais e
sua relação com o mercado imobiliário, destacando-se os parques Vaca Brava e
Flamboyant e a ocupação de seu entorno por edifícios de habitação coletiva e suas
implicações.