| dc.description.abstract | O Brasil se encontra na quarta posição mundial em relação ao tamanho absoluto de mulheres
encarceradas as quais, em sua maioria, são solteiras, jovens com idade de 18 a 29 anos e negras.
Assim, os determinantes sociais desse grupo são, muitas vezes, responsáveis pelas iniquidades
de saúde vivenciadas, representados pelo baixo fator socioeconômico, escolar, além de serem
oriundas de camadas sociais desfavorecidas. O objetivo deste estudo é identificar a prevalência
de sífilis, vírus da imunodeficiência humana (HIV) e hepatite B e C em mulheres encarceradas
em um sistema penitenciário de Anápolis, Goiás, bem como os fatores de riscos associados. O
presente estudo caracteriza-se como corte retrospectivo descritivo realizado a partir de dados
secundários oriundos de uma unidade de saúde Prisional de um presídio de Anápolis-GO. As
informações de prontuário foram fornecidas pela Secretaria Municipal de Saúde, em que o
processo de execução e repasse dos resultados são de responsabilidade dos pesquisadores.
Foram considerados e respeitados todos os princípios éticos que norteiam as pesquisas com
seres humanos no Brasil baseando-se na resolução nº466 de 2012. Cabe ressaltar que a amostra
foi composta por 49 participantes, alterada considerando os critérios de inclusão e exclusão. O
instrumento de coleta baseia-se num questionário estruturado em forma de checklist com
variáveis sociodemográficas. A coleta dos dados ocorreu em cinco etapas cronológicas sendo
selecionados no prontuário de acordo com os critérios de inclusão, montando uma planilha de
dados com tabelas e registros digitais. Foram analisados 26 prontuários em que a média de
idade é de 30,9 (desvio padrão=9,4). No perfil sociodemográfico houve predominância da raça
parda (57,7%), do consumo de bebidas alcóolicas (53,8%) e em todos os casos o tabagismo
esteve presente. Observou-se que a maioria faz uso de proteção sexual (88,5%), o que corrobora
para redução do índice de infecções sexualmente transmissíveis (IST). Predominância de
mulheres com vida sexual ativa (53,8%) e quanto à orientação sexual, todas declararam ser
heterossexuais. Já quanto à utilização de métodos contraceptivos apenas 42,3% tinham essa
prática. Nos prontuários avaliados, todas as mulheres avaliadas tiveram o teste rápido (TR) para
HIV e hepatite C negativos, 92,3% apresentaram TR para sífilis negativo, portanto, 7,7%
tinham TR positivo para sífilis. Dentre esses casos confirmados, ambas se encontravam
gestantes no momento de diagnóstico e nenhuma apresentava sintomatologia. Apesar de
encontrada baixa prevalência de IST nessa população, devido a fatores como amostra e local
de estudo, é fundamental uma atenção integral voltada à saúde dessa população, pelo histórico
vulnerável do perfil sociodemográfico das mulheres privadas de liberdade, diminuindo o
estigma, preconceitos e principalmente a perpetuação dessas IST presentes nesse meio. | pt_BR |