Acidentes com serpentes peçonhentas em Anápolis-GO de 2012 a 2019: um estudo epidemiológico
Date
2021-06-21Author
Ribeiro, Tatiana Braga Barbosa
Santos, Fábio Henrique dos
Pacheco, Danilo da Silva
Silva, Ana Célia Costa Matos
Gonçalves, Eduarda Arantes
Metadata
Show full item recordAbstract
Acidentes ofídicos são causados por serpentes peçonhentas e caracterizam um grave problema
de saúde pública tanto pela gravidade quanto pela sua subnotificação. Tais notificações
encontram-se em menor quantidade do que os acidentes aracnoides, contudo, a sua letalidade
é cerca de 0,41% maior. O ofidismo está relacionado com fatores ambientais e
socioeconômicos, presentes comumente em períodos de maior pluviosidade e temperatura,
além de com indivíduos ligados à atividade agropecuária. No Brasil tem-se 62 espécies, sendo
as quatro principais: botrópico, crotálico, laquético e elapídico. Desse modo, a análise desse
projeto tem como objetivo descrever o perfil clínico-epidemiológico dos acidentes ofídicos
em Anápolis, Goiás, entre os anos de 2012 a 2019. O trabalho se trata de um estudo
epidemiológico observacional, descritivo, transversal e retrospectivo que tem como fonte
informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) sobre acidentes
ofídicos em Anápolis nos anos descritos acima. Ademais, os critérios de inclusão são
pacientes que sofreram acidentes nessa temporalidade em Anápolis, e os de exclusão aqueles
com preenchimento incompleto ou duplicadas, além dos critérios de analise constantes nas
fichas de notificação Em resultados parciais, nota-se haver pouca variação na distribuição da
quantidade de casos ao longo do período analisado, esperando-se 71,5 casos ao ano.
Totalizam-se, nesta análise, 572 acidentes. Nota-se um perfil sociodemográfico com
predominância de susceptibilidade em indivíduos entre 11 a 60 anos (81,6%), residentes de
zonas urbanas (62,8%), homens (78,8% dos casos), de baixa escolaridade e com importância
de 78% dos acidentes não relacionados a atividades laborais. As picadas prevaleceram-se em
membros distais. Maioria dos casos foram leves (70%), porém 3,5% sofreram agravos.
Quanto a tratamento, 74% das pessoas acidentadas precisaram de soroterapia. O principal
soro foi o antibotrópico (66,1%). A maioria dos pacientes em Anápolis evoluiu para cura
(97,7%). O gênero Bothrops responde por maior parcela dos acidentes (n=323), seguidos por
gênero Crotalus (133 notificações).. Muitos fatores para justificar a prevalência desse tipo de
acidente podem ser arrolados: de questões sócio-econômicas a ambientais (como
antropização, desequilíbrios ecológicos e até mesmo comportamento do animal). Conclui-se,
nesse ínterim, os dados levantados perfazem um perfil epidemiológico assonante à literatura
apesar de muitas fichas carecerem do devido preenchimento atribuível a suspeitas de desídia
ou falta do reconhecimento dos critérios na configuração do caso. Sopesando os desafios,
sugerem-se mais estudos que descrevam a realidade epidemiológica do município bem como
se promovam políticas e contínuos trabalhos junto à população suscetível e aos profissionais
de saúde para mudança de percepção quanto ao ofidismo (prevenção, melhor qualidade em
notificar além de aperfeiçoar o atendimento com melhores condutas).