| dc.description.abstract | A COVID-19 (doença causada pelo coronavírus 2019) é causada pelo SARS-CoV-2
(coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2), o qual foi identificado primariamente
como causa de pneumonias em Wuhan, na China, ao final de 2019. Outros representantes da
família do coronavírus já foram identificados como causadores de doenças respiratórias. O
SARS-CoV-2 acarretou fatalidades em seus casos graves com a síndrome da angústia
respiratória aguda (SARA), choque séptico e coagulopatias, levando a eventos trombóticos,
tanto em sua fase aguda, quanto na fase pós infecciosa. Dentre esses eventos trombóticos, é
possível afirmar que a inflamação, com a tempestade de citocinas, e os mecanismos de entrada
do vírus na célula contribuem para diminuição de fatores anticoagulantes e aumento de fatores
trombogênicos, culminando em estase, lesão endotelial e hipercoagulabilidade. Alguns fatores
de risco como, idade, sexo, gestação e cirurgias prévias, associadas a infecção pelo COVID-19,
também podem interferir significantemente nos fatores de coagulação. Esta revisão objetiva,
portanto, identificar a incidência de complicações trombóticas em pacientes infectados pelo
SARS-CoV-2. Trata-se de uma revisão sistemática conduzida nas bases de dados Medline,
Scielo e PubMed, com buscas realizadas entre março e abril de 2020 a partir dos descritores:
(thrombosis) AND (coronavírus infections). Foram identificados 2.343 relatos no banco de
dados de buscas, sendo 2283 excluídos após aplicação de filtros, sobrando 60 relatos rastreados.
Destes, 6 foram duplicados e 42 foram excluídos, sendo 23 por tipo de estudo incorreto, 12
devido ao tema não condizer com o objetivo do trabalho, 4 com resultados inconclusivos e 3
artigos não encontrados na íntegra. Assim, 12 estudos sobraram para serem incluídos em síntese
qualitativa. A qualidade dos estudos foi medida com a iniciativa de STROBE, sendo que 3 dos
12 artigos (25%) cumpriram todos (100%) dos requisitos. Observou-se unanimidade em relação
ao aumento de eventos tromboembólicos em concomitância da COVID-19, principalmente em
pacientes submetidos ao mecanismo de circulação extracorporea, individuos do sexo
masculino, pacientes com idade avançada, mulheres gestantes e naqueles pacientes com
comorbidades associadas como hipertensão arterial sistêmica, obesidade e tabagismo. Além
disso, os estudos também foram unânimes na percepção de que os anticoagulantes não são
suficientes para inibir eventos trombóticos graves. Diante do exposto, foi possível correlacionar
eventos tromboembólicos, infecção por SARS-CoV-2 e fatores de risco existentes. Entretanto,
são necessários mais estudos para elucidar o manejo correto dos anticoagulantes em pacientes
infectados pela COVID-19, acometidos por afecções tromboembólicas. | pt_BR |