| dc.description.abstract | O tabagismo é um caso de saúde pública mundial, sendo fator de risco para inúmeras doenças.
É, além disso, considerado uma doença crônica causada pela dependência de nicotina presente
nos produtos à base de tabaco, associando-se também às outras doenças crônicas transmissíveis,
como tuberculose e infecções respiratórias. Diante desse quadro, a Organização Mundial da
Saúde estima que o tabaco tem matado anualmente mais de 8 milhões de pessoas no mundo e
cerca de 157.000 somente no Brasil. Atualmente, tem-se observado uma queda no consumo de
cigarros tradicionais, embora note-se um aumento do uso de tabaco por métodos alternativos,
tais como narguilé, em especial entre os jovens, devido aos altos investimentos de empresas
comercializadoras de cigarro que procuram disponibilizar formas inovadoras no uso do tabaco.
Sabendo desse cenário, acredita-se que a incidência de jovens universitários que utilizam essa
forma alternativa do tabaco aumenta proporcionalmente, como já apontado pelos últimos dados
acerca da temática. Assim, o presente estudo tem como objetivo analisar o perfil de uso de
narguilé entre estudantes de medicina no ano de 2021. Trata-se de um estudo epidemiológico,
analítico transversal e quantitativo, com universitários do 1º ao 8º períodos do curso de
medicina da Universidade Evangélica de Goiás. A coleta de dados, após a apreciação do Comitê
de Ética, foi realizada nos meses de abril e maio de 2021, por meio de questionários cujas
variáveis compreenderam dados sociodemográficos, socioeconômicos e a caracterização do uso
de narguilé pelo participante. Dentre os 505 questionários foi identificado que a prevalência do
uso de narguilé foi de 51,3%, sendo predominantemente utilizado por: homens (57,4%), faixa
etária de ≥ 30 anos (57,1%), solteiros (51,5%) e de classe econômica C1 (37%). A frequência
de uso demonstrou que a maioria utiliza esporadicamente (79,2%), mais da metade relatou
experimentar efeitos colaterais (56%) e o principal motivo de uso foi por influência (45,6%).
Nesse sentido, ao serem questionados sobre a possibilidade de um fumante parar de fumar após
ser aconselhado por um profissional de saúde, 19,2% acreditam que essa conduta não influencia
na queda do tabagismo, porém 97,7% dos participantes se posicionaram a favor da manutenção
da orientação desses profissionais acerca da cessação do uso de tabaco. Dessa forma, torna-se
visível que há um baixo impacto do aconselhamento pelo profissional de saúde, notando-se que
até mesmo acadêmicos de medicina, com todo o acesso à informação e orientação, estão em
estado de vulnerabilidade, sendo alvos das empresas tabagistas. Portanto, é necessário
introduzir ações mais efetivas que envolvam melhores programas de educação preventiva para
universitários, em consonância com o alarme dado pelos agentes midiáticos, que deveriam ter
a função de combater as fake news e validar informações úteis para a saúde pública brasileira. | pt_BR |