Gerenciamento de resíduos de serviços de saúde nas unidades de estratégia de saúde da família.
Abstract
O gerenciamento de resíduos de serviços de saúde (RSS) se baseia fundamentalmente na
Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei no. 12.305/2010). Ao realizar a revisão
bibliográfica foi percebido que não existe, até onde se sabe, estudos relacionados aos RSS
na Estratégia de Saúde da Família (ESF) do município de Anápolis – Goiás. Desta maneira
este estudo teve por objetivo geral analisar e descrever o gerenciamento RSS na ESF no
município de Anápolis – GO, à luz do Plano de Gerenciamento de Resíduos do Serviço de
Saúde. A pesquisa foi realizada em 9 Unidades de saúde previamente selecionadas por
amostragem aleatória simples. Participaram da pesquisa 24 trabalhadores da área da saúde
(TAS), os quais responderam a um questionário que envolvia as categorias de análises: i)
Perfil sócio/demográfico/epidemiológico; ii) Existência ou não de educação permanente na
ESF; iii) Caracterização dos resíduos gerados por setor de origem; iv) Acondicionamento
dos resíduos de serviços de saúde; v) Destinação final dos RSS pelas Unidades de saúde.
Verificou-se que os TAS são predominantemente do sexo feminino 23 (95,8%). A idade de
maior prevalência variou entre 40 e 49 anos e a cor/etnia foi o pardo. Em relação ao estado
civil, foi descrito pela maioria ser casado. Nos dados epidemiológicos foi verificado que
todos os TAS possuíam o cartão de vacina, sendo que 9 (37,5%) foram imunizados contra a
hepatite B (3 doses); 12 (50%) difteria e tétano (dT); 21 (87,5%) influenza sazonal; 7
(29,1%) sarampo e rubéola (dupla viral); e 9 (37,5%) foram imunizados contra a febre
amarela nos últimos 5 anos. Ao analisar sobre o conhecimento dos participantes sobre o
PGRSS 10 (41,6%) afirmaram não conhecer o PGRSS. Sobre o acondicionamento dos RSS
a maioria afirmou que não acondiciona corretamente os RSS. No item vazamento ou
reaproveitamento dos sanitos utilizados todos disseram que não há nenhum tipo de
vazamento visível. A legislação, o PGRSS e o apoio institucional (Secretária de Saúde), não
foram suficientes para realizar o GRSS nas Unidades de Saúde, como foi percebido em
outras pesquisas pelo Brasil, que se referem a dificuldade no cumprimento da legislação, o
conhecimento deficitário dos profissionais que gerenciam os resíduos e na ausência de
medidas de fiscalização pelo poder público. O manejo dos resíduos pela Unidade de saúde
(US) se mostrou deficiente em todas as etapas, e apesar da existência da Legislação sobre o
GRSS, ainda é deficiente o conhecimento dos profissionais da área da saúde sobre os
aspectos legais no que diz respeito ao GRSS, sendo assim sugere-se a partir dos dados
descritos neste estudo que medidas de educação permanente com enfoque na PGRSS,
poderão auxiliar a diminuir o impacto na saúde dos TAS (trabalhadores da área da saúde),
da população e ao meio ambiente.