A INFLUÊNCIA DA PORNOGRAFIA NA SUBJETIVIDADES DAS MULHERES: UM ESTUDO CARTOGRÁFICO SOBRE DISPOSITIVOS DE GÊNERO E PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO
Date
2021Author
Rhaysa Mozinho Claudino, Rhullya
Tôrres Barbosa, Júlia
Batista Araújo, Jéssica
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No Brasil, as mulheres estão inseridas em dispositivos de gênero desde sua infância, que compulsoriamente lhes ditam que devem aspirar ao amor de um homem, através do acionamento do dispositivo amoroso; tais dispositivos de gênero agem por meio de tecnologias de gênero, sendo a pornografia uma destas tecnologias. Os dispositivos de gênero agem no processo de subjetivação de homens e mulheres, e engendrada à pornografia, há a pedagogia afetiva, cuja função é ensinar e normatizar os papéis de gênero a partir de comportamentos-padrão. Sob as mulheres, a pornografia demarca profundamente seus corpos e subjetividades. A pornografia usa dos dispositivos engendrados ao dispositivo amoroso, ao propor e educar quais são as práticas normativas sobre o sexo, e reproduzir padrões da prateleira do amor (a escolha das mulheres como parceiras pelos homens). As concepções de dispositivo de gênero, tecnologia de gênero, pedagogia afetiva e prateleira do amor utilizados neste artigo foram propostos por Zanello (2018). Buscamos trazer dados sobre o uso de pornografia em geral e o uso desta tecnologia pelas mulheres, assim como analisar e destrinchar, através do método cartográfico proposto por Deleuze e Guattari, aliado a genealogia foucaultiana para realizar críticas sociais, as linhas que mantêm os dispositivos amorosos em funcionamento, como a concepção de culpa e nojo pelas mulheres ao exercício de sua sexualidade, a divisão da mulher para casar e mulher para transar (esposa x puta), a função pedagógica da pornografia para as mulheres e processos de subjetivação a partir desta tecnologia, o papel da colonização sobre quais corpos são dignos de afeto ou de desejo sexual (e a relação da pornografia com estes corpos), e ao fim do artigo propomos analisar a pornografia elencada à prostituição e ao feminismo.