| dc.description.abstract | O Retinoblastoma (Rb) é um tumor ocular originado das células da retina. É o câncer intraocular
mais comum na infância e apresenta maior incidência nas crianças menores de 5 anos. É uma
neoplasia altamente curável, quando diagnosticada precocemente o tratamento se mostra muito
eficaz. Porém, após a disseminação sistêmica, raramente o paciente sobrevive. O objetivo do
trabalho foi determinar o perfil clínico e epidemiológico de pacientes diagnosticados com
retinoblastoma entre os anos de 2008 e 2014 em um hospital de referência em oncologia em
Goiânia-GO. 62 prontuários foram selecionados nos arquivos do serviço de oncologia
pediátrica do Hospital Araújo Jorge (HAJ), foram excluídos os casos de pacientes que não
foram tratados no HAJ, que não deram continuidade no tratamento e que estavam fora dos anos
estabelecidos pelo estudo, ficando então com 55 prontuários. Trata-se de um estudo
retrospectivo, transversal e descritivo. A partir dos resultados obtidos, a amostra foi constituída
de 30 pacientes do sexo feminino e 25 do sexo masculino. A idade dos pacientes ao diagnóstico
foi de 2,3 anos em média. A maioria da população era procedente e natural de Goiás, 67,3% e
47,3%, respectivamente. Houve discreta predominancia com relação ao olho afetado, 40% dos
casos eram unilaterais com o olho esquerdo envolvido. Em apenas 1 caso ocorreu acometimento
da glândula pineal (retinoblastoma trilateral). A leucocoria foi o sinal mais predominante ao
diagnóstico, seguido da hiperemia conjuntival. Apenas 5% dos pacientes estavam
assintomáticos. Ao diagnóstico, 74,5% dos pacientes possuiam doença intraocular, em
comparação com 25,5% extraocular. A doença metastática estava presente em 12,7% dos
paciente ao diagnóstico e 30% ao longo do tratamento. 72,7% dos pacientes precisaram
enuclear um olho e 12,7% precisou enuclear ambos olhos. Os casos que cursaram com
desfechos letais corresponderam a 27,3% do total. Com relação ao estadiamento do tumor,
observou-se predominância do grupo E de Murphree e dos grupos I e II de Chantada. A taxa de
sobrevida global foi de 72,7% em cinco anos. A taxa de sobrevida no subgrupo metastático foi
de 6,3% e a do subgrupo não metastático foi de 100% (p < 0,001). A partir desses dados e da
literatura analisada, foi evidenciado atraso no diagnóstico do retinoblastoma nos casos
avaliados, constatado principalmente pelo alto número de pacientes que procuraram o serviço
em fase sintomática, tumores intraoculares em estágio avançado, além da presença de doença
extraocular e metastática ao diagnóstico. Portanto, o perfil clínico e epidemiológico dos
pacientes avaliados neste estudo, evidenciou que a maioria dos casos não é diagnosticada na
fase inicial da doença, o que evitaria as perdas visuais e os óbitos. | pt_BR |