Religiosidade e saúde mental nos estudantes de medicina
Date
2020-06-30Author
Silva, Alessandra Sthefanie Alves
Jacinto, Debora Vieira
Napoli, Renata Garcia de
Amaral, Thalita Oliveira Silvano
Metadata
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A espiritualidade/religiosidade como algo que transcende o caráter físico, ligado ao sagrado
e à busca de respostas sobre o significado da vida, tem sido reportada como importante fator
de enfrentamento a situações de vulnerabilidade humana e como fator desenvolvedor de
resiliência. O presente trabalho tem como objetivos avaliar a correlação entre religiosidade e
saúde mental e religiosidade e autoestima em acadêmicos do curso de medicina. Trata-se de
um estudo transversal quantitativo analítico, no qual foram aplicados os seguintes
questionários: perfil sociodemográfico, conceito de espiritualidade; relação
espiritualidade/saúde; Escala de Religiosidade de DUKE; Escala de Autoestima de
Rosenberg; Escala de Ansiedade de BECK e Escala de depressão CES-D. Foram realizados
testes de correlação entre religiosidade, autoestima, depressão e ansiedade. Foram avaliados
332 alunos, predomínio de mulheres (65,7%), a idade média de 21,7 anos, e 97% solteiros.
O conceito de espiritualidade foi definido como “busca de sentido e significado para a vida
humana” (55,2%); “crença e relação com Deus/religiosidade” (53,3%); e “crença em algo
transcendente à matéria” (47,6%). Aproximadamente 41% frequentam uma igreja, templo
ou encontro religioso pelo menos uma vez por semana, e 44,5% afirmam que se dedicam a
atividades religiosas individuais diariamente ou mais. A pontuação na escala de Rosenberg
foi de 26,16 (± 3,4). Ansiedade mínima ou leve foi identificada em 71,1%, e 9,6%
apresentaram ansiedade importante. Sintomas depressivos foram observados em 60,9% dos
alunos. Houve correlação entre significativa entre religiosidade organizacional e maior
ansiedade (r=0,120), e entre religiosidade intrínseca e depressão (r=0,163). A autoestima não
se correlacionou positivamente com nenhum dos itens avaliados. Nesta amostra
representativa de acadêmicos de medicina de uma grande instituição privada de ensino, a
religiosidade organizacional foi diretamente associada a maior ansiedade, e a religiosidade
intrínseca à depressão, em magnitudes semelhantes.